Guilherme Ceretta de Lima não é um árbitro convencional. Em apenas um ano, ele bateu de frente com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e a Comissão Nacional de Arbitragem (CNA), tendo decidido não apitar mais jogos pela CBF enquanto Sergio Correa comandar a entidade que rege os “apitadores”.
Ele alega boicote por parte do dirigente – apitou apenas uma partida do Brasileirão deste ano – e decidiu que ficaria apenas com jogos da federação paulista (FPF).
Para Ceretta, sua carreira extracampo como modelo causou incômodo dentro da CNA, que possui pessoas com “aquele vínculo militar”.
Nesta entrevista ao ESPN.com.br, o árbitro de 31 anos fala dos próximos passos da arbitragem, disse que a classe é desunida e também contou mais do caso Dudu, que o agrediu com um empurrão na final do Paulista deste ano, recebeu 180 dias de suspensão, mas acabou tendo a punição reduzida para seis jogos após um acordo feito antes do julgamento no STJD, já atuando normalmente.
Leia abaixo a entrevista completa com Guilherme Ceretta de Lima
ESPN.com.br – Como que é o Sergio Correa, o tratamento dele contigo na CBF?
Ceretta – Sempre tive um bom relacionamento com ele. De uns anos para cá, quando mudaram algumas pessoas que estão ao lado dele hoje dentro da comissão, o tratamento mudou um pouco. Não sei se eu não fui quem ele queria que eu fosse, ou se o fato de eu ter sido sempre eu mesmo incomodou. O fato de eu ter uma carreira meio peculiar como modelo extra-arbitragem incomoda algumas pessoas, ou até mesmo ele, mas isso daí, tenho certeza, que pode ter atrapalhado um pouco a minha sequência dentro da arbitragem.
O fato de as pessoas ligadas à arbitragem hoje dentro da CBF terem aquele vínculo militar, isso aí em relação à minha carreira ser meio peculiar, no caso modelo, tendo muita exposição na mídia, até mesmo em alguns casos em comerciais de TV, outdoor, foto, isso incomoda. Não deveria ter essa relação, como não tem aqui em São Paulo. Coronel Marinho sempre foi muito ciente daquilo que faço e nunca misturou pessoal com profissional.
E você pensa em atuar novamente pela CBF?
Não tenho pensamento em estar de novo na CBF, a não ser que mude muita coisa, a comissão que está aí hoje não esteja daqui um, dois anos, e as coisas mudem. Não sabemos o dia de amanhã.
O que você acha da instrução e cobrança da CBF para que os árbitros deem cartão por reclamação de jogador?
Eles batem um tópico na cabeça deles e querem fazer a mudança radical para que depois vá diminuindo até o ponto que você não consiga cessar, mas que diminua. Eu acho que essas coisas fazem com que o árbitro entre em campo pressionado, em ter que cumprir aquilo que eles exigem. Às vezes o jogo não exige tudo aquilo que eles pedem, e você acaba tendo que – por uma determinação, não uma instrução – cumprir até aquilo que não seja necessário. Porque uma boa conversa se resolve bastante coisa.
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