Colunista Antônio Gomes
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Rebaixamento surpresa? Não - a mentira continua
10/09/2015Assisto os noticiários televisivos e observo que a principal notícia é o rebaixamento de risco do Brasil, decretado por uma agência internacional de investimento. Não vejo surpresa para o mercado interno, apesar de entender que essa medida vai prejudicar a saída da economia do país, do quadro recessivo. Mas, observo também que ao invés de reconhecer esse quadro recessivo, o Governo Federal, com os desentendimentos internos entre os seus ministros da área econômica, insiste em continuar com o calote eleitoreiro e a mentira continua. É que, dias atrás, com o objetivo de iludir a população e, inclusive, alguns despreparados políticos, o Governo fez saber que iria extinguir 10 ministérios e um sem número de cargos comissionados.
De imediato, todo mundo, notadamente os apressados em aplaudir o governo, ficaram eufóricos e passaram a divulgar que o governo estava dando a sua colaboração ao momento econômico atual, cortando na própria carne e fazendo com isso, o que os líderes do PT chamaram de “Dever de Casa”. Fazem mais de um mês que houve esse anúncio e até agora, não se reduziu ministérios, não se reduziu os cargos comissionados e, em consequência, não houve queda nos gastos do governo. Com efeito, a queda que houve, foi o orçamento do povão, com o crescimento já assustador, da inflação. E digo assustador, porque ao contrário dos que tem hoje, até vinte anos, nos outros, somos da época do regime inflacionário, que anteriormente, o PT dizia que era resultado dos governantes de então.
Após a queda de Collor de Melo, Itamar Franco assumiu o governo e juntamente com o seu Ministro da Fazendo, Fernando Henrique Cardoso, implantaram o plano real e puseram fim a inflação e assim, por quase 20 anos, o País viveu uma verdade, “inflação sob controle”, Veio os governos do PT, e ao que parece, nas duas administrações do Lula, esse plano se manteve, mesmo que fosse aos trancos e barrancos, mas, no Governo Dilma, a coisa, foi caindo, caindo e o governo mentindo, mentindo, com divulgações falsas de que tudo estava sob controle, até que, depois da reeleição, não teve como sustentar a farsa e a inflação aflorou galopante e o governo continuou mentindo, afirmando que tudo estava sendo controlado.
Há um mês, antes da última grande mentira de Redução dos gastos públicos, com a extinção de 10 ministérios, as agências econômicas avisaram que esse rebaixamento ontem anunciado, poderia ocorrer. Assim, o governo federal, para aclamar os investidores internacionais, passou a falar em aumento de tributos, ou seja, maior taxação no Imposto de Rendas, aumentos no ISS e IPI, etc. Com o envio da proposta orçamentária com um “rombo” já anunciado e procurando transferir a responsabilidade para o Congresso, que de logo, pulou de lado e disse que a responsabilidade é do governo, aflorou a crise política, que juntada a crime econômica e os desentendimento entre os órgãos e ministros da área econômica, um querendo aumento de impostos (fazenda) e outro querendo a política dos subsídios ou renúncia fiscal, aplicados até antes das eleições passadas, e essa crise, provocou, pode-se dizer, o antecipado anuncio do rebaixamento da nota de classifica de risco do Brasil, que, volto a dizer, surpreendeu alguns setores do governo e parte da base aliada, mas no meu entender, para o povão, não houve qualquer fator surpresa, porque, como já disse, essa é uma tragédia econômica anunciada, até porque, é dito pelos analistas econômicos que o um dos critérios principais das agências de classificação de risco, é o endividamento do setor público. Ora, quem anuncia através de uma proposta orçamentária déficit primário neste ano e no próximo e, além disso, as previsões de crescimento sendo constantemente revisadas para baixo, não pode dizer que se surpreendeu com o anuncio do rebaixamento, visto que, demonstra que com relação da dívida líquida sobre o PIB [Produto Interno Bruto] vai continuar crescendo e ainda temos inflação alta, crescimento muito baixo e, com esse quadro deficitário, o rebaixamento era inevitável.
Mentindo, como sempre, o governo, para aclamar a população e calar a oposição, anunciou uma meta de superávit primário, seis meses depois revisou essa meta e depois apresentou orçamento com déficit, isto é, perdeu completamente qualquer previsibilidade. Chegamos ao fundo do poço, e aquele luzinha de esperança, que esperamos vê-la para sair de lá, está apagada. A surpresa não existe e já é tempo de se parar de iludir a população, com mentiras repetidas, para que elas não virem verdade.
Antonio Gomes de Oliveira – Juiz de Direito


