O ministro das Relações Exteriores do
Irã declarou, nesta sexta-feira (17), que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo estreito de Ormuz está completamente liberada durante o restante do período de cessar-fogo, em consonância com a trégua no Líbano.
A passagem de embarcações pelo estreito seguirá a rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos do Irã, acrescentou Abbas Araqchi em uma publicação no X.
In line with the ceasefire in Lebanon, the passage for all commercial vessels through Strait of Hormuz is declared completely open for the remaining period of ceasefire, on the coordinated route as already announced by Ports and Maritime Organisation of the Islamic Rep. of Iran.
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) April 17, 2026
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“De acordo com o cessar-fogo no Líbano, a passagem para todos os navios comerciais pelo estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Marítima da República Islâmica do Irã”, afirmou Araqchi.
Embarcações comerciais podem atravessar o Estreito de Ormuz por uma rota determinada, com a permissão da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, informou a TV estatal iraniana, citando uma autoridade militar.
Embarcações militares não terão permissão para atravessar o estreito, acrescentou a autoridade.
Logo após a abertura do estreito, o mercado reagiu e o preço do petróleo caiu para o menor valor em mais de um mês. Nesta manhã, o barril do Brent, referência internacional para o combustível, recou 10,4% e foi negociado a US$ 89,04.
Bloqueio naval dos EUA
Depois do anúncio de liberação do estreito feito pelo governo iraniano, Trump disse, na Truth Social, que o bloqueio naval dos EUA ao Irã “permanecerá em pleno vigor” até que um acordo com Teerã seja fechado.
Segundo Trump, o Irã “removeu, ou está removendo, todas as minas marítimas” da região do estreito de Ormuz após anunciar a reabertura do canal mais cedo e concordou em “nunca mais fechar” o canal de navegação. “Ele não será mais usado como arma contra o mundo”, afirmou o republicano.
Aceno
O anúncio é o primeiro grande aceno do Irã a um acordo pelo fim da guerra. A reabertura do estreito de Ormuz é uma das principais reivindicações dos Estados Unidos nas negociações travadas pelas duas partes.
A passagem, que conecta o golfo Pérsico ao golfo de Omã e ao mar da Arábia, está bloqueada desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro. Em tempos de paz, um quinto da produção global de petróleo é escoado pela passagem.
O presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, promovem, nesta sexta-feira, um encontro de cúpula, em Paris, que tem como objetivo pressionar pela reabertura do estreito de Ormuz.
Anúncio após trégua
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o acordo de cessar-fogo de 10 dias entre os governos do Líbano e de Israel na quinta-feira (16), aumentando o otimismo de que a guerra paralela entre os Estados Unidos e o Irã pode estar chegando ao fim.
O cessar-fogo pode impulsionar os esforços para estender a trégua entre Irã, Estados Unidos e Israel.
O fim da guerra de Israel contra o Hezbollah era uma exigência central dos negociadores iranianos. Israel não vinha lutando contra o Líbano em si, mas contra o grupo militante Hezbollah — apoiado pelo Irã — dentro do território libanês.
Embora Trump tenha dito que Líbano e Israel trabalharão para chegar a um acordo de longo prazo, o cessar-fogo deixa grandes dúvidas.
Notavelmente, não exige que Israel retire as tropas que ocupam partes do sul, e o Hezbollah, apoiado pelo Irã e que opera independentemente do Estado libanês, afirma manter “o direito de resistir”.
Em comunicado, o Hezbollah afirmou que “qualquer cessar-fogo deve ser abrangente em todo o território libanês e não deve permitir ao inimigo israelense qualquer liberdade de movimento”.
Do R7, com Estadão Conteúdo e Reuters