— Supremo não é competente para julgar cidadão comum, para julgar originariamente ex-presidente da República, ex-deputado federal ou ex-senador. Basta que indaguemos: o atual presidente, quando respondeu criminalmente, ele o fez onde? Na 13ª Vara Criminal de Curitiba. A legislação não mudou. Por que o ex-presidente Bolsonaro está a responder no Supremo? Isso é inexplicável, e a história em si é impiedosa, vai cobrar essa postura do Supremo — declarou.
Para saber mais e receber notícias em tempo real, acompanhe o Bananeiras Online também no instagram, facebook, twitter e youtube
Ainda na entrevista dada ao Estadão, Marco Aurélio já se mostrava preocupado com a censura prévia e o cerceamento da imprensa, diante da postura de Moraes envolvendo o caso do ex-presidente. Ele criticou a restrição do até então réu e de terceiros se manifestarem publicamente.
— Eu só espero que essa postura não acabe intimidando a grande imprensa. E gere um cerceio e gere consequências inimagináveis. Não se coaduna com o Estado Democrático de Direito o que vem ocorrendo. Nós não tivemos isso sequer quando vivenciamos o regime de exceção, que foi o regime militar — afirmou.
Marco Aurélio Mello chegou a dizer que gostaria de “colocar Moraes em um divã” para entender seus pensamentos e disse ainda que suas ações estariam desgastando a Suprema Corte.
— Eu teria que colocá-lo em um divã e fazer uma análise talvez mediante um ato maior, e uma análise do que ele pensa, o que está por trás de tudo isso. O que eu digo é que essa atuação alargada do Supremo, e uma atuação tão incisiva, implica desgaste para a instituição… A história cobrará esses atos praticados. Ele (Moraes) proibiu, por exemplo, diálogos. Mordaça, censura prévia, em pleno século que estamos vivendo. É incompreensível — disse.
O ministro Alexandre de Moraes autorizou na última terça-feira (11) uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão. A ação ocorreu porque ele foi apontado pela Polícia Federal (PF) como a principal fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens do fim de 2025 que denunciaram o uso indevido de veículos oficiais pela família do ministro Flávio Dino.
Kleber Pizão - Pleno.news