Após tentativa de compra do Banco Master, Grupo Fictor pede recuperação judicial

02/02/2026

A tentativa de compra do Banco Master marcou o início da crise enfrentada pelo Grupo Fictor. Meses após o anúncio da operação, suspensa depois da liquidação do banco pelo Banco Central, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.

A solicitação envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest e reúne dívidas estimadas em cerca de R$ 4 bilhões.

O pedido apresentado no domingo (1º) busca suspender cobranças e bloqueios judiciais enquanto o grupo negocia prazos com credores. Segundo a Fictor, não existe intenção de reduzir valores, apenas reorganizar os pagamentos.
 
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A tentativa de compra

Em novembro de 2025, um consórcio liderado por um dos sócios da Fictor anunciou uma proposta para adquirir o Banco Master, com previsão de aporte imediato de R$ 3 bilhões. Um dia depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro, o que levou à suspensão da operação.

No pedido encaminhado à Justiça, a Fictor afirma que a repercussão do episódio afetou diretamente sua imagem no mercado e provocou um desequilíbrio no fluxo financeiro.

“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, um dia após o anúncio da aquisição, a reputação do grupo foi atingida por especulações, que geraram um grande volume de notícias negativas”, afirmou a empresa.

O grupo também relatou impacto direto no valor de mercado das empresas. As ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária listada na B3, acumularam queda próxima de 50% entre novembro e o início de fevereiro.

Problema na Justiça

Paralelamente à crise de liquidez, decisões judiciais passaram a restringir recursos do grupo. Na semana passada, a desembargadora Maria Lúcia Pizzotti, da 30ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões em ativos da Fictor.

A medida buscou preservar uma garantia prevista em contrato ligado a operações de cartões empresariais. Antes disso, outro despacho já havia autorizado o bloqueio de R$ 7,3 milhões, diante do risco de prejuízo aos credores.

Uma das decisões menciona atrasos repetidos no pagamento de investidores, ausência de resposta a notificações extrajudiciais e sinais de instabilidade financeira.

A recuperação judicial

A recuperação judicial é um mecanismo previsto em lei para empresas com dificuldades financeiras.

Durante o processo, cobranças ficam suspensas por um período, permitindo negociações e a continuidade das atividades.

Em comunicado, a Fictor afirmou que pretende quitar todas as dívidas sem desconto, negociando apenas novos prazos. O grupo pediu à Justiça um período de 180 dias para suspender cobranças e bloqueios.

“Nesse período, a companhia garante o direito de negociar um plano de recuperação, prevendo novas condições e prazos de pagamento, sem interromper as operações”, informou.

Leonardo Meireles, do R7, em Brasília




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