
O governo federal estimou, por meio do projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, já enviado ao Congresso Nacional, que o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social, sistema público que atende aos trabalhadores do setor privado, continuará crescendo em 2017 - quando atingirá a marca dos R$ 167,62 bilhões, o equivalente a 2,47% do Produto Interno Bruto (PIB), um novo recorde.
Para este ano, a projeção é de um resultado negativo de R$ 133 bilhões, ou 2,14% do PIB. As estimativas foram feitas pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Pelos cálculos, o patamar de R$ 200 bilhões para o rombo da Previdência Social seria superado noa no de 2020.
O governo concordou com essa fórmula, porém, com uma progressivadade. A partir de 31 de dezembro de 2018, entra mais um ponto nesse cálculo, que aumenta com o passar dos anos.
No fim de 2018, por exemplo, mulheres precisarão de 86 pontos e homens, de 96 – ou seja, há a soma de um ponto. Em dezembro de 2026, serão 5 pontos a mais – com as mulheres precisando de 90 pontos para se aposentar e os homens de 100 pontos.
Caso queiram se aposentar antes de atingir os pontos necessários, os trabalhadores têm essa opção. Entretanto, acabam caindo novamente no fator previdenciário, fórmula que visa evitar o que o governo considera de “aposentarias precoces”, e que limita o valor do benefício a ser recebido.
Segundo informações do governo, a idade média de aposentadoria no Brasil é de 58 anos, ficando perto do que ocorre em Luxemburgo e abaixo de todos os demais países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - cuja idade média de aposentadoria é de 64,2 anos.
Números do Ministério do Trabalho e da Previdência Social mostram que, entre julho de 2015 e fevereiro deste ano, o valor médio das aposentadorias por tempo de contribuição, com incidência da fórmula 85/95, subiu para R$ 2.792,29. Este valor é 57% superior à média das aposentadorias por tempo de contribuição com aplicação da regra anterior, o chamado "fator previdenciário" (R$ 1.779,88).
No ano passado, quando enviou o projeto da LDO de 2016, o governo estimava um déficit menor para a Previdência Social em 2060 - da ordem de R$ 7,21 trilhões, ou 9,24% do PIB. No prazo de um ano, portanto, a estimativa de rombo na Previdência Social, em 2060, subiu em R$ 1,74 trilhão, ou 1,9 ponto percentual do Produto Interno Bruto.
"O aumento real [acima da inflação] do salário mínimo tem um impacto muito importante no comportamento da despesa, uma vez que implica que parte significativa da despesa tem um crescimento real de 2,5% ao ano ao longo de mais de quatro décadas. Por outro lado, o crescimento do salário médio conjugado com a evolução demográfica leva a um crescimento da arrecadação e do PIB menor no longo prazo do que no curto prazo", informou o governo.
Acrescentou que esses movimentos "em conjunto levam" a um "crescimento importante" na relação déficit/PIB no longo prazo. "Do exposto pode-se concluir que a os resultados obtidos são bastante dependentes das regras de indexação dos benefícios previdenciários bem como das taxas de variação do salário médio e da massa salarial estimadas", informou o governo.
Recentemente, porém, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, admitiu que, por conta da piora da crise política, o Ministério da Fazenda já admite que a proposta de reforma da Previdência Social não deverá ser mais enviada ao Congresso no mês de abril - que era o compromisso inicial do governo.
Nesta terça-feira, ele informou que as prioridades do governo na área econômica são aprovar, no Congresso Nacional, a proposta de alongamento das dívidas dos estados e, também, a alteração da meta fiscal deste ano. Segundo o ministro, o governo estuda novas medidas para a economia, mas elas só serão colocadas em prática após o fim o fim do "impasse político." Ele não chegou a citar a Previdência Social.
G1
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