Rebelião deixa ao menos 60 mortos em presídio do AM

02/01/2017
Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus (AM) (SEAP/AM/Divulgação)
Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus (AM) (SEAP/AM/Divulgação)

Um possível confronto entre facções rivais deixou ao menos 60 mortos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus (AM). A rebelião durou 17 horas e há relatos de que alguns corpos foram decapitados, queimados e mutilados. Houve também fuga de detentos, mas o número de fugitivos ainda não foi confirmado.

Segundo o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, esse é o maior massacre do sistema prisional do estado.

A principal hipótese é de que o massacre tenha sido causado por um confronto entre a facção Família Do Norte (FDN), que domina prisões do Amazonas, e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma provável disputa por controle de território. 

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“Tudo indica que foi um ataque de uma facção maior contra uma menor para eliminar a concorrência”, disse o secretário de Segurança Pública do Amazonas em entrevista coletiva na noite de domingo.

Entenda

A rebelião começou no início da tarde desse domingo (1º). Agentes penitenciários da empresa terceirizada Umanizzare e 74 presos foram feitos reféns. Parte desses detentos foram assassinados e ao menos seis deles foram decapitados. Corpos foram arremessados por sobre os muros do complexo.

Poucas horas antes do início da rebelião no Compaj, dezenas de detentos tinham conseguido escapar de outra unidade prisional de Manaus, o Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). O próprio secretário chegou a afirmar que a fuga do Ipat pode ter servido como “cortina de fumaça” para acobertar a ação no Compaj.

Segundo Fontes, as forças de segurança optaram por não entrar no Compaj por considerar que as consequências seriam imprevisíveis. “[A rebelião] Foi gerida com negociação e com respeito aos direitos humanos”, disse Fontes, garantindo que os líderes da rebelião serão identificados e responderão pelas mortes e outros crimes.

Facções em guerra

Em outubro, conflito entre PCC e o Comando Vermelho deixou mais de 20 mortos em presídios do Norte e Nordeste.

Naquele momento, segundo comunicados enviados pelo próprio PCC para seus membros, a briga teria sido uma resposta ao fato de que o Comando Vermelho teria firmado alianças com facções rivais do PCC, como a FDN. 

Desde o segundo semestre de 2015, líderes da facção do Amazonas  vêm sendo apontados como os principais suspeitos pela morte de integrantes do PCC.

Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que o ministro Alexandre de Moraes acompanha o caso. 

Por Talita Abrantes - Exame.com

 




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