Bastidores das atrações turísticas de Bananeiras: a realidade que você não vê

25/04/2012

A batalha simbólica, empreendida por pelo menos três municípios (Bananeiras, Borborema e Pirpirituba), para se apropriar da impactante imagem da cachoeira do roncador esconde uma triste realidade.” 

 
Uma volta pelas ruas e praças de Bananeiras, em um final de semana ordinário, suscita em qualquer passeante um questionamento: a cidade faz mesmo jus ao título de turística? Um dos significados para turística é, segundo nossos dicionários, “que atrai ou interessa aos turistas, mas, ordinariamente, a cidade atrai ou interessa aos turistas? 
 

Na cidade são realizadas, basicamente, três festas: o São João, a da padroeira e a de emancipação política da cidade. Anualmente, também acontece na cidade a tradicional corrida de Jeep.

Inegavelmente, a cidade avançou na área do turismo com a atual administração, no entanto, para uma gestão que declara ser o turismo o alvo principal de sua atenção, deixar de fazer coisas tão simples é, no mínimo, constrangedor. É nítido o descompasso entre o discurso e a prática.


A despeito da realização das festas tradicionais, a praça principal da cidade, apesar de inteiramente reformada pela atual administração, comumente, oferece como “atrativos” apenas espetinho de asa de galinha e, às vezes, pastel.

Bar do Seixo e o Canal
No centro da praça há o “Bar do Seixo”, um ambiente soturno, com grades enferrujadas e teto encardido, cujo banheiro exala um odor fétido que se mistura ao miasma emanado pelas águas descobertas do famigerado canal. Ressalte-se que canal é o pomposo nome dado a uma vala que atravessa a cidade, onde são depositados os dejetos de um sem-número de residências do município. O pior, as águas contaminadas chegam até a cachoeira do roncador. 

Não há um único barzinho na cidade, nenhum! Que ofereça música ao vivo (MPB, chorinho, etc.). Cidades circunvizinhas, que não são rotuladas de turísticas – inclusive o pequeno município de Borborema - oferecem todo final de semana. Os proprietários de bares próximos à praça principal, ao invés de se unirem para realização de eventos atraentes, preferem continuar uma disputa improdutiva, que muitas vezes reflete apenas a intolerância de correligionários de determinados grupos políticos. 

O tratamento dispensado aos turistas é, igualmente, algo a ser revisto. No São João deste ano, por exemplo, os preços de bebidas (até mesmo água de coco!) e comidas vendidas na festa foram absurdamente aumentados. Um espetinho, vendido diariamente por R$ 1,00, foi vendido durante a festa até por R$ 3,00. Casas foram oferecidas, para serem alugadas durante o curto período da festa, por preços escorchantes que alcançaram R$ 5.000,00.

Alguns turistas reclamavam que, após pagarem um preço alto numa determinada pensão, eram acordados muito cedo, diariamente, pelos berros da proprietária mandando alguém comprar pão! Numa certa padaria o troco foi arremessado no balcão, pela proprietária, com tanta rispidez que uma moeda ricocheteou e quase acertou o rosto de uma turista. Um grupo de turistas, com toda razão, passou a chamá-la, depois do ocorrido, de “Miss simpatia”.

A batalha simbólica, empreendida por pelo menos três municípios (Bananeiras, Borborema e Pirpirituba), para se apropriar da impactante imagem da cachoeira do roncador esconde uma triste realidade.

A Superintendência de Administração do Meio Ambiente – SUDEMA declarou, recentemente, que a água da cachoeira é imprópria para o consumo humano (para o banho está liberada!!!). Não há qualquer parceria entre os municípios – que tanto brigam pela utilização da imagem da cachoeira – com o objetivo de empreender melhorias no local, nem entre esses e os donos de bares e/ou restaurantes situados ali. 


Estado de Barracas e placas no Rocandor
A ausência de subsídio mínimo pode ser visto até nas toscas placas informativas afixadas pelos comerciantes locais. Não há sequer barracas padronizadas. Bem próximo à cachoeira estão posicionadas barracas improvisadas, feitas de varas e cobertas com lona, enfeando o espetáculo da natureza. Os donos das barracas afirmam que não têm condições de fazer uma melhor e que nunca receberam ajuda alguma. 


A Revista de História da Biblioteca Nacional- RHBN, em sua edição 45, de junho de 2009, publicou artigo alertando que centenas de sítios arqueológicos espalhados pelo interior da Paraíba correm sério risco de desaparecer, devido à exposição dos registros à ação do tempo e, principalmente, pela intervenção humana.


Pinturas rupestres do Umari
Não é este o caso das pinturas rupestres do Umari? Além de utilizá-las como atrativos turísticos o que foi ou está sendo feito para protegê-las? Apesar de bonitas placas indicarem, dentro da cidade, a direção das pinturas, não há, no local, acesso algum para se chegar às pinturas. 

 

Além de expostos às aguas das chuvas e do rio que passa pelo Umari, os registros estão sendo alvo da ação de vândalos, que estão retirando, por pura maldade, lascas da pedra.

 

 


A rede hoteleira da cidade foi completamente modernizada, mas, o hotel, por si só, é uma atração? Ou é um meio que proporciona conforto para quem tenciona participar de uma atração? Ou, ainda, deve-se considerar a cidade turística apenas por desfrutar de um clima privilegiado e pelas sofisticadas ornamentações feitas no natal e no São João?

Infelizmente, o que não se consegue omitir é que o município permanece sem promotor titular; o delegado da cidade (com enormes limitações de pessoal) é também delegado de Solânea e que, só este ano, já ocorreram 11 homicídios na cidade! Ou seja, nem a pacatez é mais um atrativo para quem quer fugir da agitação e violência dos grandes centros.

Servidores da Secretaria de Cultura e Turismo, com quem conversamos, garantem que muitas sugestões são dadas (instalação de banheiros para os visitantes da mata de Goiamunduba, por exemplo), mas não são acatadas por esbarrarem na arrogância e má vontade dos chefes hierárquicos.

Nem tudo está perdido, prova disso é a intensa e belíssima atuação da Associação de Jovens da Arte e Cultura de Bananeiras – AJAC. Entre outras providências, é imprescindível a interação da AJAC com secretarias municipais, na realização de eventos cada vez mais atraentes, quem sabe assim a cidade deixe de ser turística só por rótulo e discurso e passe a realizar eventos - não só esporadicamente e para um público restrito - que verdadeiramente atraiam tanto bananeirenses quanto turistas de todos os segmentos sociais. 
 

Bar do Seixo e Canal

Estado de Barracas e placas no Rocandor
 
 
 

Pinturas Rupestres do Umari

Local de acesso as pinturas rupestres

 

Por Bananeiras Online




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