
De um lado o melhor material didático do país, uma preparação que começa no ensino infantil, aulões e simulados. De outro, alunos adultos que vão para a aula depois de terem passado um dia inteiro trabalhando em uma usina, desempenhando trabalho pesado, e que sequer têm acesso à internet. Essas são as realidades da melhor e pior escolas paraibanas na avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Em primeiro lugar, com a maior média (650,85), o Centro Campinense de Educação Ltda Colégio Motiva, de Campina Grande. O segredo para atingir esse ápice, segundo o diretor da unidade, Sérgio Elano, é uma preparação contínua desde o ensino infantil, passando pelo fundamental, médio e reforçando no 3º ano, quando o Enem é realizado.
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Sérgio Elano contou ao Correio Online que a escola trabalha com o melhor material didático do país, oferece palestras, realiza aulões e simulados nas proximidade das provas. Segundo ele, a preparação para a prova não se faz em um único ano, como muitas pessoas pensam.
“Além disso, nós preparamos um cronograma diferenciado para os alunos do 3º que vão prestar o exame com palestras de professores renomados, aulas extras, mas é importante destacar que essa preparação é feita ao longo da vida acadêmica do aluno, esse preparo não se faz apenas no último ano que não dá certo”, ponderou Sérgio Elano.
Escola indígena tem pior desempenho
Com a média 416,19, a Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental e Médio Pedro Poti teve o pior desempenho no Enem. A diretora Sueli Vieira, disse que está decepcionada com o resultado do exame. Perguntada, no entanto, se já tinha acessado as notas da escola, afirmou que não e apontou o motivo. “Nós estamos sem internet na escola, por isso não vi o resultado ainda, mas fiquei muito triste com essa notícia”, afirmou Sueli.
Ela informou que o 3ª ano funciona à noite, tem 56 alunos com mais de 20 anos de idade e senhoras e senhores com idades mais avançadas. “Temos alunos com idade normal para a série, mas a maioria não está acima da média. São pessoas que trabalham o dia todo na usina e em outras atividades pesadas. Eles chegam à escola cansados e não demonstram muito interesse pelos estudos, inclusive, muito deles falam que não querem fazer um curso superior porque não têm condições de irem para universidade”, lamentou a professora.
Para Sueli Vieira, o fato de a escola ser indígena não influenciou no resultado. “Os indígenas são ótimos alunos, atenciosos e esforçados. O nosso maior problema está na falta de incentivo da família, que na maioria são compostas por pais analfabetos. Nós temos bons professores, temos o projeto voltado para preparação para o Enem e atingiu as metas do IDEB de 2015”, declarou a diretora.
Secretário culpa seleção de escolas privadas
O secretário de Educação do Estado, Aléssio Trindade, atribuiu o baixo desempenho das escolas públicas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2015 a seleção que as escolas particulares fazem para ter os melhores alunos em seu quadro. Para o secretário, como a escola pública não faz e não pode fazer esse filtro, à concorrência acaba se tornando totalmente desigual.
“Essa é uma questão de as escolas particulares poderem selecionar os alunos por renda e orientação familiar. Com isso, esses alunos têm um ambiente de estudo diferente, um acompanhamento adequado por parte da família. Nas escolas públicas não fazemos nenhum tipo de seleção, nossos alunos são heterogêneos”, declarou Aléssio Trindade.
Ele disse, ainda, que as escolas públicas enfrentam dificuldades socioeconômicas e por isso a melhor escola pública não está entre os primeiros lugares. “Diante de todas as dificuldades nós estamos melhorando gradativamente, principalmente, em disciplinas como redação e matemática”, comentou o secretário de Educação.
Segundo ele, o Estado está investindo em escolas de tempo integral, escola cidadã, em laboratório de robótica, matemática e incentivando a participação dos alunos em competições escolares, além do incentivo a prática de esporte. “Nós vamos sentir o resultado desses investimentos a cada ano. Mas sabemos que é mui importante que rede melhore como um todo”, concluiu Aléssio Trindade.
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