
Com uma cultura bem diferente dos seus grandes rivais Inter de Milão e Milan, o Juventus nunca teve tradição de contratar jogadores brasileiros e nem muitos sul-americanos para o seu elenco. Tradicionalmente, o time sempre priorizou investir em atletas italianos ou europeus já adaptados à realidade do futebol do Velho Continente. Mas, nesta temporada, a tendência do campeão nacional mudou radicalmente. O clube de Turim decidiu investir e gastou uma considerável fortuna em reforços da América do Sul.
O primeiro a chegar foi o argentino Dybala, que custou € 30 milhões (R$ 120 milhões). Depois chegou o brasileiro Alex Sandro por € 26 milhões (R$ 126 milhões), tornando-se o segundo defensor mais caro da história do clube depois de Lilian Thuram. O lateral-esquerdo, dono da camisa 12 em lembrança a Hulk, estava em fim de contrato com os lusos, mas nem por isso o Porto fez um desconto. Os italianos aceitaram o acordo.
Ainda nesta terça-feira, chega à Itália o colombiano Juan Cuadrado, emprestado pelo Chelsea aos "bianconeri". As três contratações latinas vão para ocupar lugares cativos entre os 11 de Massimiliano Allegri. O elevado preço da negociação não assusta Alex Sandro em relação à responsabilidade com a camisa do Juve.
- Acho que reflete confiança do clube em mim. Eu estou totalmente confiante para retribuir tudo isso. Essas questões de valores são de verdade dependentes dos clubes, não têm nada a ver com os jogadores. Eu quero fazer muito bem o meu trabalho. É essa a minha única preocupação.
Depois de passar mais de dois meses discutindo uma renovação de contrato com o Porto, Alex Sandro conseguiu realizar o sonho de se transferir para um dos grandes gigantes europeus. O brasileiro esteve a um passo de prolongar o vínculo com os lusos, porque nenhum time oferecia o valor pretendido pelos portugueses para a liberação. No entanto, nos últimos dias da janela - que termina em 31 de agosto -, o Juventus resolveu abrir mão de uma quantia que até então considerava “exagerada” para investir no jogador de 24 anos, que pretende transformar no melhor e mais valorizado lateral-esquerdo do mundo. Alex Sandro se tornou alvo de desejo de Allegri porque suas características lhe permitem jogar no 3-5-2 ou no 4-3-1-2, os dois esquemas preferidos do treinador.

O ex-Santos foi apresentado aos torcedores esta segunda-feira no “Juventus Stadium”, mas não fez as habituais embaixadinhas no gramado. Ele passou diretamente para uma visita guiada pelo museu do clube e uma sessão de autógrafos na loja do Juventus que foi invadida por dezenas de fãs da “Velha Senhora” aos gritos de "Alex, Alex". Antes disso, o jogador respondeu a várias perguntas dos jornalistas na sala de imprensa do estádio e ainda conversou com o GloboEsporte.com, em exclusiva, sobre as suas primeiras impressões.
- Chegar aqui a este estádio é uma sensação espetacular. Uma sensação fantástica que todo o jogador gosta de ter. Infelizmente começamos com uma derrota na estreia no campeonato, mas fizemos um bom jogo. Tomamos um gol por uma falha, uma desatenção e pagamos com derrota. Foi só isso - afirmou Alex Sandro, que pode estrear no próximo domingo frente ao Roma.
Confira a entrevista completa:
O valor que o Juventus pagou ao Porto (R$ 106 milhões) pelo seu passe pode acabar por refletir em pressão para você?
- Acho que se reflete em confiança do clube em mim e eu estou totalmente confiante para retribuir tudo isso ao clube. Essas questões de valores são de verdade dependentes dos clubes, não têm nada a ver com os jogadores. Eu quero fazer muito bem o meu trabalho. É essa a minha única preocupação.
Qual foi a sua primeira sensação ao assistir a um jogo neste estádio e uma análise da derrota do Juventus na estreia?
- Chegar aqui neste estádio é uma sensação espetacular. Uma sensação fantástica que todo o jogador gosta de ter. Infelizmente começamos com uma derrota na estreia no campeonato, mas fizemos um bom jogo. Tomamos um gol por uma falha, uma desatenção e pagamos com derrota. Foi só isso.
Embora você tenha sido um dos laterais mais caros do futebol europeu, você nem sempre é lembrado por Dunga. Por quê?
O motivo de eu não ter ido para a seleção é porque o treinador está querendo chamar outros. Está preferindo outros nomes, só isso. Mas eu quero fazer o meu trabalho bem no clube e aguardar uma oportunidade.
Você foi contatado pelo Dunga ou por alguém da CBF depois de assinar pelo Juventus?
Não. Apenas li a entrevista do Dunga falando que tinha sido uma boa compra e fiquei muito feliz, mas não conversei com ninguém. Só com o Danilo que é meu grande amigo.
É sabido que você tinha ofertas de outros clubes. Qual a razão de escolher a Itália, que não atravessa um dos seus melhores momentos no futebol?
É o campeonato mais tático do mundo. É um dos mais difíceis e tenho a certeza que isso vai me ajudar muito. Tenho muito a crescer com o campeonato italiano e tenho a certeza que o Juventus vai me dar o suporte de que eu preciso.
Você já elogiou muito o Juventus, mas afinal onde nasceu essa paixão por esse clube?
Desde pequeno eu via o Del Piero, Nedved, Trezeguet na TV. Foi um clube que sempre gostei, me apaixonei e segui sempre. Já disse e é mesmo verdade que no ano passado quando o Porto foi eliminado da Champions, eu passei sempre a torcer pelo Juventus.
Qual foi o motivo da escolha do número 12 para a sua camisa bianconera?
A escolha do número 12 tem a ver comigo e com a minha família. Mas é um número que me faz sentir bem. Foi também a camisa usada por um grande amigo meu quando ele estava no Porto, que é o Hulk, muito meu amigo e da minha família. Ele teve uma passagem fantástica pelo Porto, isso contribuiu muito para escolher esta camisa.
O Porto ofereceu a renovação de contrato, lhe entregou até a faixa de capitão para tentar convencer você a ficar. Por que não aceitou ficar no Porto?
A questão de eu ter vindo para o Juventus não tem a ver com o fato de eu não ter renovado com o Porto. É que eu não consegui chegar a um acordo para renovar com o Porto. Agora estou aqui neste clube e foi uma ótima escolha para mim. Tenho a certeza que irá acrescentar muito ao meu futuro.
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