
Imagine uma seleção que faz parar o país. Que entra em campo, atropela adversários e dá show. Que é considerada por todos como o a equipe que manda naquele esporte. E, claro, que, mesmo quando não ganha, enche todos os torcedores de orgulho e identificação.
Há tempos atrás, a descrição talvez pudesse se encaixar com a seleção brasileira de Pelé, Garrincha, Rivellino ou de toda a geração de 1982 e de 1986. Hoje, definitivamente não se encaixa mais.
Mas ainda há no mundo pelo menos um time que reúne todos esses sentimentos: os All Blacks, a seleção de rugby da Nova Zelândia. Tudo isso provando que toda a tradição pode ser mantida mesmo em tempos em que a busca desenfreada por faturamento dá as bases de atuação de algumas das maiores confederações do mundo. E ainda mantendo mais dinheiro em caixa que a CBF.
Na divulgação do balanço anual, os All Blacks declararam um faturamento de 120,8 milhões de dólares neozelandeses (cerca de R$ 295 milhões) em 2014. Um número bem menor que os R$ 519 milhões embolsados pela CBF. Quando o assunto é dinheiro em caixa, porém, a vitória é neozelandesa: R$ 152 milhões (62,2 milhões de dólares neozelandeses) a 124,3.
E olha que o ano foi de muitos gastos para a Nova Zelândia - a reserva em caixa, inclusive, diminuiu em 1,1 milhão de dólares neozelandeses em relação a 2013. Isso porque a confederação investiu forte na preparação do time principal masculino na Copa do Mundo de Rugby, que começa nesta sexta-feira, com transmissão exclusiva dos canaisESPN.
No balanço anual, os All Blacks ainda declaram investimentos em várias outras áreas, com destaque para as categorias de base e para as seleções de Sevens, que disputarão a Olimpíada a partir de 2016 - Sevens é a modalidade do rugby disputada com sete jogadores, e não 15, como a tradicional, jogada na Copa do Mundo, por exemplo.
Não há um lugar no mundo tão identificado com o rugby quanto a Nova Zelândia. As raízes do esporte por lá são claras: a colonização inglesa.
O curioso, porém, é que o povo neozelandês parece ter sido feito para a prática do rugby. Em um país com pouco mais de 4,5 milhões de habitantes, chega a ser impressionante o número de pessoas com perfil físico ideal para o esporte.
Com a predisposição genética e um amor incondicional, os All Blacks mandam no rugby desde sempre. É a única seleção que tem retrospecto positivo (mais vitórias que derrotas) contra qualquer país do mundo. O time, aliás, só perdeu para cinco adversários em toda a sua história (Austrália, África do Sul, França Inglaterra e País de Gales). Dos 526 que fez, ganhou nada menos que 402.
ESPN.com.br
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