
Se recordarmos os primeiros seis meses do Circuito Mundial de Surfe (WCT) desta temporada, era praticamente inimaginável pensar que Gabriel Medina chegaria ao Havaí, última etapa da competição, com chances reais de se tornar bicampeão do mundo. Porém, com uma arrancada espetacular no segundo semestre, o surfista de Maresias voltou para a briga com Filipe Toledo, Adriano de Souza e Mick Fanning, mas, pela posição no ranking, não se vê como favorito e comemora esse fato.
"Ano passado, era o favorito. Afinal, era o líder do ranking mundial, tinha pontos na frente do Fanning e do Kelly (Slater)... Já essa temporada estou meio que correndo por fora. No começo, não acreditavam que eu pudesse chegar. E isso é bom, já que tira a pressão em cima de mim e joga para eles", disse Medina em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br durante a disputa do WQS em Maresias.
Medina realmente não teve um começo de temporada de encher os olhos. Longe disso. O desempenho nas cinco primeiras provas, inclusive, fez com que muitas pessoas chegassem a duvidar de sua qualidade dentro do mar.
Na perna australiana, terminou com um 13º, 5º e 25º, em Gold Coast, Bells Beach e Margaret River, respectivamente. No Rio de Janeiro, viu Filipinho brilhar, enquanto terminou com outro 13º lugar, mesma posição conquistada em Fiji, onde defendia o título da temporada passada.
No entanto, no segundo semestre da competição, ele mudou da água para o vinho, mostrando por que havia se tornado o primeiro campeão mundial brasileiro em 2014 e voltando de vez para a briga do bicampeonato nesta temporada.
Em J-Bay, na África do Sul, terminou em quinto. Em Teahupoo, no Taiti, foi vice. Em Trestles, nos Estados Unidos, parou nas semis, garantindo o terceiro lugar. Na sequência, na França, ganhou a etapa. Já em Peniche, em Portugal, Medina acabou em quinto.
"Foi um começo de ano muito difícil para mim, mas depois me recuperei. Não mudei nada, só continuei treinando e fazendo o que sempre fiz dentro e fora da água, e o resultado apareceu. Graças a Deus, consegui ganhar uma etapa esse ano e outros bons resultados que me manteve nessa disputa pelo título mundial. Só de começar do jeito que comecei e chegar em Pipe disputando o título é uma honra", completou Medina.
"(Minhas expectativas) São as melhores. Pipe é uma onda que eu gosto bastante e preciso ir bem lá. Meu objetivo é, no mínimo, chegar à final, ou até mesmo levar a etapa. É uma onda que gosto muito, me sinto muito confortável lá e já tive bons resultados. Apesar de ainda depender dos outros, tenho que focar no meu desempenho, fazer meu papel e depois ver o que acontece com eles", finalizou o atual campeão mundial.
Mesmo com chances reais de título, a situação de Gabriel Medina é a pior entre os brasileiros, já que Filipe Toledo e Adriano de Souza dependem apenas de seus próprios resultados para levar a taça. Para buscar o bicampeonato, Medina, no melhor cenário, precisa vencer no Havaí e contar com a queda de Fanning e Mineirinho na fase quartas de final, enquanto Filipinho teria que ser eliminado até no máximo no quinto round.
A disputa do WCT volta ao mar no dia 8 de dezembro - com janela aberta até 20 -, quando Gabriel Medina, Filipe Toledo e Adriano de Souza terão a oportunidade de brigar pelo segundo título mundial da história do país na modalidade. Além dos três brasileiros, três australianos também seguem com chances de levantaram a taça em Pipeline, no Havaí. Julian Wilson e Owen Wright correm por fora, e Mick Fanning depende só de suas forças para ficar com o tetra.
ESPN.com.br
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