
Com três gols em nove jogos pelo Santos, o atacante Joel deseja permanecer no Alvinegro por bastante tempo e se tornar ídolo. O camaronês, de 23 anos, saiu do Londrina, teve curtas passagens pelo Coritiba e Cruzeiro. Agora, emprestado ao Peixe pelo time estrelado, Joel Cruel - como foi apelidado - revelou ao Portal da Band sua maior vontade como jogador: criar raízes em um clube.
“Nesses times eu não tive uma sequência. Um ano, dois anos, três anos. Estou querendo ter uma definição fixa. Se o Santos me quiser jogando, eu estou muito feliz aqui”, afirmou o atacante.
Coincidentemente, foi em uma partida contra o Santos, a grande chance de Joel como jogador. Na Copa do Brasil, de 2014, o atacante fez dois gols pelo Londrina, na vitória sobre o Peixe, por 2 a 1. Algumas propostas do exterior fizeram o atleta pedir um voto de confiança de Felipe Prochet, presidente do Tubarão, para mostrar seu potencial no jogo ao qual se refere como "divisor de águas".
"Eu fiz uma aposta com o presidente do Londrina, falando que o jogo contra o Santos era um jogo que ia ser visto em todos os lugares. Esperaríamos a partida e depois a gente ia ver o que resolvia. Se eu tivesse ido mal, as coisas não deveriam acontecer da maneira como aconteceram", revelou.
Joel ainda contou sobre sua inspiração em Samuel Eto’o, sobre a possibilidade de se naturalizar brasileiro e fez uma playlist com as músicas camaronesas que mais gosta (confira no fim). Veja a entrevista completa.
Portal da Band - Deseja voltar ao Cruzeiro após o término do seu empréstimo?
Joel - Não é que eu não gostaria de voltar ao Cruzeiro. Se eu faço um trabalho bom no Santos e o clube quiser continuar comigo no ano que vem, eu vou ser feliz. Vou poder ter uma sequência em algum time. Eu saí do Londrina, onde passei quatro anos desde as categorias de base. E quando comecei a ter uma sequência de jogos, em 2014 acabei indo para o Coritiba. No Coritiba, não fiquei nem um ano e fui para o Cruzeiro. No Cruzeiro, fiquei um ano e já vim para o Santos. Então, nesses times eu não tive uma sequência, um ano, dois anos, três anos. Eu estou querendo ter uma definição fixa. Se o Santos me quiser jogando, eu estou muito feliz aqui. Me dou bem com todo mundo e isso é o mais importante para eu poder desenvolver o meu trabalho. Se ao término do contrato, o Santos não me quiser ou julgar que não estou agradando, vou voltar ao Cruzeiro ou procurar outros caminhos. Mas vou buscar dar o meu melhor para buscar permanecer (no Santos).
Como foi o jogo da Copa do Brasil, em 2014, quando você marcou duas vezes contra o Santos?
Foi um divisor de águas para mim, porque eu já vinha jogando no campeonato paranaense, onde a gente foi campeão. Começamos na Série D, onde a gente estava bem. Na Copa eliminamos o Criciúma, que na época estava na primeira divisão. Também tiramos o Grêmio Barueri e na terceira fase a gente ia pegar o Santos. Depois do campeonato paranaense, surgiram algumas propostas para eu sair do Londrina. Mas eu fiz uma aposta com o presidente do Londrina, falando que o jogo contra o Santos era um jogo que ia ser visto em todos os lugares. Esperaríamos o jogo e depois a gente ia ver o que resolveria. Se eu tivesse ido mal, as coisas não aconteceriam da maneira como aconteceram. Entrei em campo pensando nisso, que iria me dedicar ao máximo para fazer uma boa apresentação e encaminhar as coisas. Fui feliz, acabei fazendo dois gols, o Londrina ganhou e as coisas se encaminharam.
Como foi marcar dois gols no Santos?
Ah, foi uma satisfação imensa. Pela qualidade que todos sabem que o Santos tem, pela história do clube, um dos maiores do Brasil. E fazer dois gols, justo contra o Santos, deu uma satisfação maior. Naquela época o Londrina, teoricamente considerado menor que o Santos, acabou ganhando o jogo. Isso deu uma satisfação maior.
Começou a jogar futebol logo cedo, onde foi esse início?
Jogo futebol desde os seis anos de idade. O primeiro presente que eu ganhei do meu pai foi uma chuteira. Eu jogava em um clube que, assim como o Santos, tinha um time principal e as categorias de base. Chamava AsBB (Camarões).
Como era o campeonato em Camarões?
Nas categorias de base era dividido em campeonato regional e nacional. Vou pegar um exemplo: campeão de São Paulo, campeão do Paraná, campeão de Minas, etc. Depois se agrupavam pra fazer um campeonato e ver quem ia ser o campeão nacional. Era organizado pela Federação de Camarões. Joguei, meu time foi campeão e um olheiro, que mora no Brasil há um pouco mais de 13 anos, estava lá assistindo. Ele gostou e me fez uma proposta, então eu conversei com a minha família e mudei para o Brasil.
Era um sonho jogar no Brasil?
Pra ser bem sincero, no Continente Africano a gente tem mais facilidade pra chegar à Europa. A maioria dos meus amigos está no campeonato europeu e as pessoas ficam muito surpresas de eu ter vindo para o Brasil. Europa é muito mais fácil para o africano do que o Continente Americano, mas nem todos estão sendo vistos.
Gostaria de ir para a Europa?
Hoje em dia, para ser bem sincero, o que for melhor para mim vai ser bem-vindo, seja aqui ou na Europa. Eu sei que lá é o sonho de todos os jogadores, lá que se vive o futebol de primeiro mundo. Com todo respeito aos outros campeonatos, mas o da Europa é o mais visto, com uma midiatização maior. É o sonho de todo jogador atuar na Europa, mas no Brasil também se pode jogar e ser feliz, se fizer um bom trabalho, sem precisar ir à Europa e ser ídolo por aqui. Temos exemplos de Rogério Ceni, Marcos, que nunca saíram dos clubes que jogaram. Então, eu estou trabalhando para que as coisas aconteçam da melhor maneira possível. Seja aqui, ou lá.
Você se inspira em Eto’o para jogar?
Eto’o é o meu maior ídolo. Com respeito a outros jogadores que eu admiro bastante como Ronaldo Fenômeno, Ibrahimovic, Neymar, etc. Porém, Samuel Eto’o é um espelho pra mim. Não só pelo fato de ser do mesmo país que eu, mas pelo fato de ter jogado no mesmo time que eu. Ele é um espelho pelas coisas boas que ele faz tanto dentro quanto fora de campo. A minha inspiração nele é de ir pra cima e fazer gol, atacante sobrevive de gol.
Chegou a conhecer seu ídolo?
Já vi Eto’o algumas vezes. Quando estava na Seleção de Camarões (sub-20) em 2011 na Copa da África. Quando nós ganhamos do Egito, na semifinal, ele estava no hotel para dar um apoio pra gente. Naquela época, ele ainda era capitão da seleção principal, então ele veio para dar uma forcinha. Infelizmente acabamos perdendo na final para a Nigéria, por 3 a 2.
Já foi apelidado de Joel Cruel, Akon, matador, etc. Qual apelido você mais gosta?
Eu comecei a ser chamado de Cruel nas categorias de base do Londrina, quando vinha fazendo gols de tudo quanto era jeito. Fui artilheiro dois anos seguidos. Em 2012 fui artilheiro com 15 gols em 13 jogos. No ano seguinte, em 2013, fiz 21 gols em 15 jogos. Depois disso começaram a me chamar de Joel Cruel. Acabou pegando, hoje todo mundo me conhece assim. Me identifico com Joel Cruel, o apelido é legal.
O que representou Roger Milla para o futebol camaronês?
Roger Milla apareceu mesmo para o mundo na década de 1990, na Copa do Mundo da Itália. Eu ainda não era nascido, mas depois passei a acompanhar, ver a repercussão de Camarões chegar as quartas de final na Copa do Mundo. Roger Milla se tornou um ícone do futebol camaronês.
Veio para o Brasil em 2009. Qual a maior dificuldade nessa transição?
O problema quando cheguei foi ninguém entender o que eu estava falando. A língua foi um dos fatores mais difíceis. Lá eu falava francês, inglês e um dialeto da região.
Qual era o seu contato com os times brasileiros antes de vir para o Brasil?
Conhecia mais o Santos, Corinthians e Flamengo. O Santos pelo fato do Pelé ter jogado, o Robinho também quando foi para o Real Madrid. Depois disso eu comecei a acompanhar alguns jogos, não conseguia ver todas as partidas do Santos, porque não eram transmitidos. Porém, os mais importantes como Libertadores, alguns da Copa do Brasil e do Brasileiro a gente assistia.
Nkongsamba, sua cidade natal, parece com algum lugar do Brasil?
Camarões inteiro é Tropical, igual o Brasil. A cidade onde eu nasci vive de agricultura. No Brasil, a parte que mais combina com a minha cidade é a Região Nordeste. Mas lá é próximo do litoral, fica à uma hora e meia da praia.
Gosta da música camaronesa? Pratica alguma dança típica?
Amo a música camaronesa. Gosto de “Pedecale”, o cantor Ekambi Brillant, entre outros artistas. Praticar não, mas a gente se vira (risos).
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