Fisiologista alerta para risco de convulso

24/09/2015

 As partidas às 11h de domingo do Campeonato Brasileiro colocam em risco os jogadores, afirma o fisiologista Turíbio Leite de Barros. Segundo o especialista, os atletas podem sofrer graves problemas de saúde por causa do calor que ocorre em alguns destes jogos. As informações estão sendo reunidas em um documento, feito a pedido do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, que será entregue à CBF. A ideia é impedir que sejam realizadas partidas neste horário quando as temperaturas começam a subir.

“O sindicato encomendou alguns estudos e nós temos esses dados. É assustador constatar que quando a temperatura ambiente ultrapassar 42ºC, o jogador corre o risco de convulsão e dano neurológico”, alertou em entrevista ao Portal da Band. 

Vale lembrar que no último domingo, a
 vitória do Corinthians por 2 a 0 no clássico contra o Santos, a temperatura era de 35ºC com sensação de 39ºC e no Serra Dourada, em Goiânia, na vitória por 3 a 0 do Goiás sobre o Joinville, 39ºC com sensação de 44ºC.

“Não estamos nos baseando só na opinião deste ou daquele profissional. A gente tem informações científicas de indicador importante que é a temperatura do atleta”, destacou.

“Não dá para passar por cima da evidência de um risco para a saúde do atleta. Ninguém, vai poder dizer que é absolutamente seguro expor atleta profissional. Isso vale pra qualquer modalidade, se for uma atleta ao esforço de alto rendimento”, alertou.

Turíbio entre Gilmar Rinaldi e Fábio Mahseredjian - Divulgação/Facebook

 


O fisiologista esclareceu, no entanto, que a mudança prevista não tem nada a ver com o horário das partidas. 

“O problema, na verdade, não é exatamente o horário, e sim a temperatura, porque se tivesse no meio do inverno, com a temperatura amena, não teria problema, mesmo que mude a rotina do jogador. Não é nada que não possa absolutamente ser aceito e até virar rotina. Agora, nessa época do ano e daqui para frente, com toda a certeza a probabilidade de jogar às 11h ter temperatura de 35ºC pra cima é muito grande, ainda mais com um agravante. Quando você começa um jogo às 11h e acaba às 13h, ao longo do jogo, o calor vai aumentando. Conforme o atleta vai se desgastando, o calor vai sendo cada vez maior”, explicou.

Interesses

Nesta sexta-feira, Turíbio Leite de Barros, vai se reunir com Rinaldo Martorelli, presidente tanto da Federação Nacional dos Atletas de Futebol, como do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, para apresentar os resultados de estudos. Até sexta-feira, o dirigente encaminha o laudo à CBF para barrar os jogos às 11h. “Se vai ter êxito não posso saber. Vai depender do bom senso de quem decide, seja da CBF, clubes e quem esteja envolvido nisso”, ressaltou. 

De uma coisa Turíbio não tem dúvidas: de que o Sindicato dos Atletas cumpriu com a sua tarefa.  “O Sindicato vai cumprir o papel nosso de lutar, porque  um jogo nesse horário não há como negar é um sucesso do ponto de vista, presença de publico, horário adequado para a programação de mídia. Mas quem paga o preço disso é o artista, que é o jogador, e não é justo”, comentou. 

Turíbio não acha certo que os jogadores e o sindicato nunca deem seus pareceres nessa questão, sendo os principais envolvidos na questão. “O jogador e o seu representante não são ouvidos. É insalubre obrigar um atleta fazer uma atividade desse tipo”, destacou.

CBF se mexe

O fisiologista destacou que a CBF está tentando se adequar sobre a questão, segundo contou um amigo médico.

“Tive contato hoje (ontem) com um amigo meu, o médico Cláudio Gil, que a CBF designou uma comissão de médicos do futebol para fazer estudos sobre isso. Ele é um dos membros. Tive comentando com ele que o estudo que eles estão fazendo é muito mais de uma intercorrência climática, em qual horário seria mais compatível. No nosso modo de entender, o  problema não é investigar só o clima, e sim a saúde do atleta, para termos parâmetros para dizer se há risco ou não”.

Para Turíbio, o problema do Brasileirão é mais simples do que aconteceu no Mundial do ano passado, quando tiveram jogos às 13h. “Na verdade é o mesmo problema. Para mudar de horário em uma Copa do Mundo é uma tarefa quase impossível, por tudo que envolve. Jogos de Campeonato Brasileiro é outra coisa, muito mais fácil encontrar uma solução para não expor o atleta ao risco. Depende de poucas pessoas e interesses. Acho viável”.

Questionada pela reportagem do Portal da Band sobre a possibilidade dos jogos às 11h durante a primavera, a CBF não havia respondido até o fechamento desta matéria.

Laura Ferreira, meteorologista da Band, e que apresenta o "Café Com Jornal", acredita que a temperatura, a partir de agora, com a chegada da primavera, tende a subir. Mas destacou que o auge do calor normalmente acontece às 15h (veja o vídeo abaixo e entenda). 

Band.com.br




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