
Isaquias Queiroz se tornou neste sábado o brasileiro com o maior número de medalhas numa mesma edição de Jogos Olímpicos. Com duas pratas e um bronze, ele deixa a disputa no Rio como um dos grandes nomes do País. Natural de Ubaitaba, na Bahia, o atleta de 22 anos fez questão de destacar suas raízes e até provocou gargalhadas ao soltar um palavrão enquanto conversa com os repórteres de rádio e internet.
"Mostrei aqui para o mundo que o baiano tem garra, que tem determinação. Mesmo antes dessas três medalhas, nunca deixei de mostrar minhas raízes. Tenho orgulho e nunca deixei ninguém falar mal da Bahia, agora se falar tá fodido”, disparou o atleta logo após a premiação na Lagoa Rodrigo de Freitas. “Espero chegar lá na Bahia e comemorar com acarajé, vatapá, arrocha, axé e com tudo mais".
Na prova deste sábado, Isaquias competiu na canoa dupla nos 1000 metros ao lado de Erlon de Souza, que em Londres havia sido o 10º colocado. "A gente está vendo que o público da canoagem cresceu muito, ainda mais com a chegada do Isaquias. Tenho certeza que fizemos um fato histórico. Tem muita gente aqui com talento para seguir em frente até Tóquio (sede dos próximos Jogos, em 2020)", disse Erlon.
Ao deixar a zona mista, Isaquias ficou irritado com alguns organizadores que estavam retirando torcedores que gritavam o nome do atleta atrás das grades. Sobre a fama conquistada com os Jogos do Rio, o baiano disse que ainda não tomou conhecimento do feito. "A ficha não caiu. Não faço ideia do tamanho da bomba que joguei aqui na Lagoa, com essas medalhas. Tenho a garra de legítimo brasileiro, que não desiste nunca".
Além da prata ao lado de Erlon de Souza, Isaquias também foi segundo colocado na prova individual dos 1000 metros, ao ser superado pelo alemão Sebastian Brendel em disputa remada a remada. O atleta também foi bronze nos C1-200 metros, após se recuperar no final depois de uma largada complicada.
Isaquias disse que recebeu todo o apoio necessário da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) e que espera chegar aos Jogos de Tóquio ainda mais preparado. "A base é o essencial para tudo. Espero que eles continuem nos apoiando para a gente continuar dando esse trabalho aos outros. Também acredito que novos patrocinadores podem surgir agora depois dessas conquistas, o que vai ser muito bom para todos".
Ainda sobre a próxima Olimpíada, no Japão, o baiano poderá se tornar o maior medalhista brasileiro da história (somado todos os Jogos) e superar o velejador Robert Scheidt, que tem dois ouros, duas pratas e um bronze.
Isaquias também garantiu com as três medalhas no Rio uma premiação do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) de cerca de R$ 90 mil, o que ajudará bastante em sua evolução na modalidade - ele também deve receber uma bonificação da CBCa.
Antes do sucesso nos Jogos, o baiano registrou uma história de superação. Na infância e adolescência, Isaquias passou por um grave acidente com a queda de uma panela com água quente e ficou internado por muitos dias. Também perdeu um rim ao despencar de uma árvore e chegou até a ser sequestrado.
Band.com.br
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