
Antes de ser contratado pelo Cruzeiro, Ramon "Wanchope" Ábila marcou 17 gols em 25 partidas ao longo do ano com o Huracán. Essa mesma competência para balançar as redes que chamou a atenção do clube mineiro seduziu Alejandro Accietto muito tempo atrás, em um momento crucial para a trajetória do atacante argentino no futebol.
Tudo aconteceu em 2005. Hoje dirigente do Talleres, Accietto era técnico das categorias de base do Unión Florida e resolveu escalar Ábila como titular. O atacante tinha apenas 15 anos na época, mas agradou bastante o então comandante, que resolveu comprar o seu passe depois que saiu do clube. Para isso, desembolsou 800 pesos (cerca de R$ 181).
"Me disseram que ele não valia nada", contou Accietto ao Mundo D, ao se lembrar de como foi fácil adquirir os direitos do atacante e de como o Union Flórida não fez muita questão de mantê-lo. Depois disso, ele repassou o jogador para o Instituto, onde terminou de se desenvolver e virou profissional, em 2008.
Depois do Instituto, Ábila passou pelo Sarmiento e pelo Deportivo Morón antes de chegar ao Huracán, em 2014. Não demorou muito depois disso para o nome de Ábila ganhar repercussão nacional, mas não exatamente pelo faro de artilheiro. Em uma partida pela Copa Argentina em julho daquele ano, ele marcou o primeiro gol da vitória da sua equipe por 2 a 0 sobre o Boca Juniors. O treinador do time adversário era Carlos Bianchi, que disse o seguinte a seus comandados no vestiário: "Tomamos um gol de alguém que é mais gordo do que eu".
Em uma entrevista ao jornal Olé pouco tempo depois, Ábila se defendeu. "Pareço gordo pela televisão, mas muita gente depois que me vê diz que não é bem assim. Mas eu não me importo. Não me sinto gordo, nem pesado. Sou capaz de jogar os 90 minutos e fazer gols", declarou.
"A camiseta branca engana às vezes, mas ele não é gordo", reforçou o zagueiro Federico Mancinelli, que era companheiro de Ábila no Huracán.
A passagem pelo Huracán não ficou marcada apenas pela polêmica com um dos treinadores mais vencedores do futebol sul-americano nos últimos anos. O atacante ajudou a equipe a chegar aos títulos da Copa Argentina em novembro de 2014 e da Supercopa Argentina em abril de 2015, mesmo ano em que o time conquistou a classificação para a Libertadores.
Essas conquistas o fizeram admitir ao El Grafico, em abril de 2015, que vivia uma fase profissional tão boa que parecia até um sonho. Questionado depois sobre os planos para o futuro, ele respondeu: "Gostaria de continuar a crescer e jogar em grandes equipes. Quero fazer uma carreira que valha a pena."
ESPN.com.br
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