Berlim quer dar 3 anos de residência a refugiados sírios, diz revista

26/09/2015

 O governo alemão estuda conceder automaticamente três anos de permissão de residência aos refugiados sírios para "desafogar" o escritório que tramita os pedidos de asilo, publica nesta sábado (26) a revista alemã "Der Spiegel", segundo a agência EFE.

A Chancelaria alemã planeja aliviar com esta medida a situação que do Escritório Federal para a Migração e os Refugiados (BAMF), que foi alvo de grandes críticas nas últimas semanas perante sua incapacidade frente à avalanche de refugiados.

Por um lado, a medida eliminaria o processo burocrático derivado de tramitar os pedidos de asilo de todos os refugiados sírios chegados àAlemanha, que conformam um dos maiores grupos de imigrantes e têm a princípio uma grande chance de ficar porque procedem de um país assolado por uma guerra civil.

Por outro, a proposta permitiria que a BAMF se concentrasse na tramitação dos pedidos do resto de refugiados, que provêm em sua maioria dos Bálcãs.

A permissão de residência temporária para os cidadãos sírios não permitiria o direito de reagrupamento familiar, segundo fontes governamentais citadas pela "Der Spiegel".

O governo alemão forneceria o financiamento para esta permissão de residência especial para sírios, apesar de ser competência dos estados federados e dos municípios cobrir as necessidades dos peticionários de asilo.

 

O conflito vivido na Síria desde março de 2011, quando surgiram protestos contra o governo de Bashar al Assad, deixou cerca de 220 mil mortos e mais de quatro milhões de refugiados em países vizinhos, assim como 7,6 milhões de deslocados internos, segundo cálculos da ONU.

A Alemanha calcula que receberá neste ano cerca de 800 mil refugiados, procedentes principalmente da Síria, Iraque, Afeganistão e Eritreia, assim como dos países que compõem os Bálcãs Ocidentais.

‘Espírito da reunificação‘
A chanceler alemã, Angela Merkel, evocou neste sábado (26) o "sentimento geral" que animou a Alemanha no momento da reunificação do país, em 1990, considerando que agora este mesmo sentimento poderia ajudar a enfrentar o desafio da integração dos refugiados, de acordo com a agência AFP.

"A Unidade alemã era, naturalmente, algo muito especial. Dificilmente podemos compará-la com as ondas de refugiados de hoje", disse Merkel em seu podcast semanal, enquanto a Alemanha celebra os 25 da sua reunificação em 3 de outubro de 1990.

"Na época, nós mostramos que face a uma certa evolução das coisas, tivemos a força para lidar com esta evolução", insistiu a chanceler, lembrando que a integração dos migrantes que chegam em massa na Alemanha exige grandes esforços em matéria de integração.

"Mas o sentimento geral - quando um grande desafio se apresenta a nós, quando podemos superá-lo - isso, eu acredito, nós podemos absolutamente relembrar", disse Merkel.

Isto é o que "fazem muitas, muitas pessoas que estão envolvidas hoje (...) Elas atacam o desafio com isso em mente, de que queremos chegar e podemos chegar".

G1




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