Isso porque a montadora assumiu, na semana passada, ter falsificado dados sobre o consumo de combustível de quatro modelos que são vendidos somente no Japão, num total de 600 mil carros produzidos.

 

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Um dos modelos produzidos pela montadora japonesa que tiveram os resultados de testes de eficiência energética fraudados

Se isso não fosse um grande problema por si só, a marca japonesa voltou a ser notícia hoje, ao afirmar que vem burlando as regras dos testes de economia e eficiência energética pelos últimos 25 anos. Não, você não leu errado: desde 1991 a Mitsubishi "deu um jeitinho" de passar pelas regras estabelecidas pelo governo japonês para melhorar o consumo de combustível dos carros.

Tudo mudou, mas ninguém viu

Em 91, as regulamentações foram alteradas em função da grande tendência mundial de o trânsito ficar cada vez mais parado, mas, por meio de um release divulgado hoje, a Mitsubishi admitiu que não seguiu as mudanças. Ryugo Nakao, vice-presidente executivo da marca, foi categórico: "Poderíamos ter mudado, mas acabou que não fizemos isso".

"Não sabemos a real amplitude da situação e estamos no processo de determinar isso. Me sinto imensamente responsável pelo ocorrido", afirmou o presidente da Mitsubishi, Tetsuro Aikawa. A reação do mercado foi imediata: os papéis da montadora caíram 10% logo após a emissão do documento que oficializou a situação, acumulando uma queda de 50% desde o anúncio das fraudes da semana passada.

Os quatro modelos envolvidos no problema que originou todo o escândalo, os "minicars" eK Wagon, eK Space, Dayz e Dayz Roox, já foram tirados de linha. No entanto, a nova dimensão dos problemas – que envolve uma quantidade bem maior do que apenas quatro carros – fazem com que seja difícil estimar qual será o tamanho da penalidade, já que as investigações mais detalhadas ainda precisam ser concluídas.

Difícil de fugir

Não é o primeiro problema do tipo que a Mitsubishi enfrenta: no início dos anos 2000, a empresa foi acusada de esconder de forma sistêmica defeitos em seus veículos. Isso quase causou sua falência, evitada por outras empresas do grupo homônimo.

Dessa vez, no entanto, tudo indica que poderá ser um pouco mais difícil repetir um processo de recuperação, caso seja realmente necessário.