
Na prática, tarifaço funciona como um pedágio extra para a entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos. Nem todos os produtos, porém, foram atingidos. Permanecem fora da sobretaxa itens considerados estratégicos para os Estados Unidos, como café, carne bovina, aeronaves e peças da indústria aeronáutica, além de alguns produtos minerais.
Segundo dados da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), cerca de US$ 7,2 bilhões — o equivalente a 18,9% dos US$ 38 bilhões exportados anualmente pelo Brasil aos Estados Unidos — serão afetados pela nova cobrança.
A medida coloca o Brasil como o segundo país mais atingido pelas sobretaxas dos EUA, atrás apenas da China.
Enquanto as tarifas passam a valer, o governo federal intensifica as negociações para tentar reduzir seus efeitos. Nessa terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin iniciou uma série de reuniões com representantes dos principais setores afetados para discutir medidas de apoio e estratégias de resposta.
Participam das conversas representantes da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) e Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).
O presidente da Abimaq, José Velloso, defendeu que o Brasil mantenha a negociação diplomática com Washington e evite, neste momento, adotar medidas de reciprocidade.
Desde o anúncio da sobretaxa, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem criticado a decisão americana. Em nota divulgada na semana passada, classificou a medida como um “marco lastimável” na relação entre os dois países e afirmou que não há justificativa para a imposição unilateral das tarifas.
Apesar do impacto imediato, especialistas avaliam que o tarifaço representa um desafio importante, mas não uma ruptura nas exportações brasileiras. Entre as alternativas apontadas estão a ampliação de mercados na União Europeia, Ásia, Mercosul e China, além da continuidade das negociações diplomáticas entre os dois países.
Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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