
Com a aproximação do ultimato de Trump, o regime iraniano pediu que jovens façam correntes humanas em volta das usinas de energia, um alvo declarado dos americanos.
Além do pedido, uma emissora de televisão estatal do Irã informou nesta terça que 14 milhões de pessoas se voluntariaram para lutar contra os Estados Unidos e Israel caso o país seja invadido por terra. O Irã tem cerca de 90 milhões de habitantes.
Na semana passada, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que o número de voluntários tinha superado 7 milhões, em meio a uma campanha na mídia estatal e nos meios digitais.
O regime iraniano também convocou soldados aposentados, enquanto a força paramilitar Basij, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, começou a aceitar combatentes com pelo menos 12 anos de idade.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) elevou o tom contra os Estados Unidos e aliados ao alertar que poderá atingir infraestruturas energéticas e privar a região de petróleo e gás por anos, além de levar a resposta “além da região” caso Washington “cruze as linhas vermelhas”.
Em comunicado divulgado nesta terça via Telegram, o grupo paramilitar afirmou ter ampliado o alcance de seus ataques na chamada “onda 99” da operação denominada Promessa Verdadeira 4.
Segundo a IRGC, forças navais e aeroespaciais atingiram “bases e interesses dos EUA no Golfo Pérsico e no estreito de Ormuz, além de centros militares e de comando em territórios palestinos ocupados”, em resposta a ataques contra instalações petroquímicas iranianas em Assaluyeh. A ofensiva teria incluído mísseis balísticos, de cruzeiro e drones.
Na primeira fase, o grupo afirma ter atingido complexos petroquímicos ligados a empresas americanas na Arábia Saudita, incluindo unidades associadas a ExxonMobil, Dow Chemical, Chevron Phillips e Sadra, nas regiões de Al-Jubail e Al-Juaymah.
O grupo também menciona o ataque a um navio porta-contêineres “ligado ao regime sionista” próximo ao porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, e diz que a posição do grupo de porta-aviões CVN-72 dos EUA, no Oceano Índico, foi alvo de mísseis de cruzeiro de longo alcance.
A Guarda afirmou que a destruição do navio serve como “alerta” a embarcações que cooperem com EUA e Israel e disse ter abandonado critérios de “contenção” adotados até então por boa vizinhança. Apesar disso, reiterou que não tem civis como alvo, embora prometa retaliar contra ataques a instalações civis iranianas.
Em entrevista nesta segunda-feira (6), Trump afirmou, ao detalhar a operação de resgate do piloto do caça F-15 que havia sido abatido pelo Irã, que o regime iraniano “pode ser derrotado em uma noite”.
“O país inteiro pode ser eliminado em uma noite, e essa noite pode ser amanhã”, disse Trump em coletiva na Casa Branca, ao comentar possíveis ações militares contra Teerã.
As forças de Israel alertaram a população do Irã para evitar viagens de trem até a noite desta terça-feira, em um sinal de que lançará ataques contra a infraestrutura ferroviária do país nas próximas horas. O aviso foi divulgado em farsi na rede social X.
O regime iraniano, no entanto, cortou o acesso do país à internet no início da guerra, o que dificulta a disseminação da mensagem.
Ainda nesta terça, a mídia iraniana informou que uma sinagoga em Teerã foi atingida pelos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel. O Irã abriga uma pequena colônia judaica.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) agendou uma votação para esta terça, com o objetivo de aprovar uma resolução que permita a reabertura do estreito de Ormuz, mas deve enfrentar resistências da Rússia e da China. Será a segunda tentativa da entidade de forçar o Irã a normalizar a navegação no local.
Apesar das movimentações diplomáticas, o Oriente Médio segue sob fogo intenso nesta terça, o 39º dia da guerra. Teerã foi alvo de novos ataques lançados por Israel, enquanto as forças iranianas dispararam sete mísseis balísticos contra a Arábia Saudita, um aliado dos Estados Unidos na região. Por precaução, a ponte de 25 quilômetros que liga a Arábia Saudita ao Bahrein foi fechada.
O Irã também voltou a realizar bombardeios no território israelense. Já o Comando Central dos Estados Unidos informou ter atingido mais de 13 mil alvos no Irã desde o início da guerra, no dia 28 de fevereiro.
Do R7, com Estadão Conteúdo
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