
Além do temor por parte dos moradores das cidades onde ocorreram assaltos à banco, a violência também está interferindo na oferta de emprego para os bancários na Paraíba. Embora João Pessoa e Campina Grande tenham sido as cidades com maior número de ataques no ano passado, são as agências de cidades do interior onde os bancários mais temem estar vulneráveis à violência. E por causa desse medo, eles estão recusando propostas de promoção de cargo e aumento de salário, para não terem que ir trabalhar no interior, segundo o Sindicato dos Bancários da Paraíba. "Nós vivemos um clima de muito medo dentro dos bancos. Colegas sendo sequestrados, passando noites com bandidos dentro de suas casas. Tudo isso abala a categoria", disse o presidente Marcos Henriques.
Falta polícia e Leis estão sendo ignoradas, diz Sindicato
É nas cidades do interior onde aparece o outro lado da moeda, no quesito segurança que, segundo Marcos Henriques, é a falta de efetivo policial. Embora também reclame da falta de investimento dos bancos, o presidente do sindicato afirma que o pouco policiamento faz os bandidos elegerem as cidades mais vulneráveis para atacar. "90% da culpa é dos bancos. Que fique isso bem claro. Mas o poder público também falha porque a pouca quantidade de policiais nas cidades do interior estimula a ação dos bandidos", afirmou.
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Marcos Henriques disse que o efetivo policial também precisa estar na pauta de cobranças. "Reconhecemos a competência e o esforço das polícias para coibir esses crimes, mas tem hora que a inteligência não é suficiente. É preciso um efetivo maior. Há uma estimativa da ONU que, para uma população ser bem atendida é preciso ter um policial para cada 250 habitantes. Na Paraíba temos um para 450. O déficit é de mais de 7 mil policiais", acrescentou.
Este ano, o presidente do Sindicato dos Bancários passa a ter assento no legislativo da Capital e disse que vai usar a função para pressionar os bancos. "Enquanto sindicalista vou cobrar do legislativo estadual a aplicação de projetos já aprovados e sancionados, mas que não estão sendo cumpridos, inclusive culpar os órgãos de defesa do consumidor que não estão fiscalizando isso. Como parlamentar, já fique sabendo que existe um Estatuto do Consumidor Bancário de João Pessoa, criando anos atrás por outro vereador. Vamos atrás disso para obrigar os bancos a cumprir e criar novas Leis se for preciso", disse.
Companhia de Caatinga
Sobre o efetivo policial no interior do Estado, o secretário Cláudio Lima disse que um grupo de policiais militares está sendo formado para atuar especificamente nas regiões do rurais e zonas de divisas, treinados inclusive para o enfrentamento com bandidos. "Estamos criando a Companhia de Caatinga, com efetivo próprio, viaturas adaptadas para os terrenos do sertão. Os policiais já terminaram o curso. A sede será na cidade de Patos, que fica numa região centralizada", afirmou.
Correios - trauma e medo
Por funcionarem como bancos, em várias cidades onde não há agência bancária, as agências dos Correios também são alvo de ataques de bandidos, com explosões de prédios para retirada dos cofres e assaltos. Só que, diferente do que acontece nos bancos, os funcionários dos correios estão mais expostos aos bandidos, o que tem resultado em ações com espancamentos, sequestros, ameaças e outros tipos de agressões. Por conta disso, são muitos os casos de servidores dos Correios que precisam se afastar das funções para fazer tratamento de saúde, após serem vítimas.
Raquel Alves do Nascimento tem 28 anos de idade, mas já precisou passar por vários tratamentos psicológicos, para se recuperar do trauma provocado por assaltos sofridos quanto trabalhava como atendente dos Correios. "Eu já vinha de um tratamento quando foi transferida para a agência de Sapé. Meus colegas disseram que o local tinha sido assaltado três dias antes e eu fiquei em pânico. Passei mais uns dias em casa e resolvi ir trabalhar. No terceiro dia de trabalho, a agência foi assaltada novamente e eu estava presente. Apontaram uma arma para nós, mandaram a gente deitar no chão e foi uma situação terrível. Hoje fico em pânico quando estou de farda e alguém desconhecido se aproxima, apenas para passar por perto de mim. Se escuto qualquer barulho forte penso que é um assalto. Não consigo relaxar", contou.
Um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos na Paraíba (Sintec-PB), disse que a entidade luta na Justiça para obrigar os Correios a instalar equipamentos de segurança nas agências, a exemplo de portas giratórias. "Chegamos a conseguir uma liminar obrigando a instalação das portas, mas um desembargador federal derrubou a decisão, dizendo que o custo desse tipo de equipamento seria inviável para a empresa. Porém, mais oneroso que isso é o afastamento dos servidores, com problemas de saúde decorrentes de assaltos", afirmou Joelby Costa da Silva.
O diretor disse ainda que há agências que são assaltadas todos os meses. "São várias as situações em que uma equipe é transferida de unidade, após sofrerem assalto. No mês seguinte, a equipe é assaltada na nova unidade e é preciso fazer novo remanejamento", disse acrescentou.
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