Chapa vencedora denuncia tentativa de ‘virada de mesa’ na escolha de reitor

09/09/2020

O processo de escolha dos nomes que vão compor a lista tríplice para a definição do novo reitor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) está se transformando em uma verdadeira “comédia pastelão”. Desde que as professoras Terezinha Domiciano (reitora) e Mônica Nóbrega (vice-reitora) ficaram em primeiro lugar no pleito, não faltaram obstáculos para que a ordem dos mais votados fosse respeitada. O capítulo desta terça-feira (8) é que o Conselho Universitário (Consuni) adiou em um dia a reunião para a homologação da votação ocorrida no fim do mês passado.

O novo capítulo é que surgiram mais informações sobre supostas novas irregularidades na eleição. É a segunda vez que denúncias anônimas são apresentadas com indicativo da existência de eleitores que, na verdade, não deveriam ter tido direito a voto. A primeira foi descartada pela Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), órgão ligado à UFPB. O contingente apontado na suposta irregularidade seria ínfimo e não teria influenciado no resultado. Agora, novas listas foram divulgadas e houve o pedido de tempo para analisá-las.

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Mas este é apenas um entre os fatos que têm soado como estranhos em um processo simples de referendo à vontade da comunidade universitária. Outros têm preocupado mais a chapa vencedora. A Secretaria dos Órgãos Deliberativos da Administração Superior (Sods) anunciou nesta terça que a composição da lista tríplice será feita por meio de voto secreto. Aí, sim, sob o véu do anonimato, há o temor de que a ordem de votação seja ignorada. Isso poderá ocorrer por causa da retirada da pressão popular para o respeito ao princípio democrático.

Votam nesta etapa os representes do Consuni, do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) e do Conselho Curador. Daí sairá a lista que vai ser enviada ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Caberá a ele a última palavra na escolha do novo reitor.

A candidata a vice-reitora na chapa mais votada, Mônica Nóbrega, explicou ao blog que eles poderão judicializar a disputa em pelo menos duas situações. A primeira é em caso de novo adiamento da reunião do Consuni para a homologação da eleição. A segunda possibilidade é se após a reunião dos órgãos deliberativos da UFPB, a ordem de votação que representou a vontade da comunidade universitária não for respeitada. “Vamos aguardar os desdobramentos nas próximas reuniões”, disse, admitindo que o grupo tem se deparado com tentativas sucessivas de “viradas de mesa”.

O fato de a votação dos órgãos deliberativos ocorrer de forma secreta tem incomodado os membros da chapa vencedora, porém, a judicialização por este viés é mais difícil. Isso porque embora a resolução que disciplinou a disputa eleitoral preveja o voto aberto, o Estatuto da Universidade Federal da Paraíba fala em voto secreto. O ordenamento da instituição, por isso, é maior do que a resolução. Pelo que se viu até agora, não é de estranhar se houver novas investidas contra a chapa vencedora.

Resta agora esperar para ver onde esta novela vai terminar. 

 

Por Suetoni Souto Maior - Jornal da Paraíba

 

 



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