Conferência de Dilma na UFPB tem vaias à terceirização e à reitora

24/07/2017

A conferência ministrada pela presidente Dilma Rousseff (PT) no fim da tarde de hoje no auditório da Reitoria teve dois momentos de vaias. Ao ser apresentado, o professor Raimundo Barroso, chefe de gabinete da reitora Margareth Diniz, foi vaiado, numa manifestação que seria destinada à sua representada. Outra que recebeu os apupos foi a secretária de Desenvolvimento Humano do Governo do Estado, Cida Ramos, que representava o governador Ricardo Coutinho (PSB). Depois que o PT da Paraíba emitiu uma nota contra a terceirização da Educação, muitos militantes interromperam a saudação de Cida com palavras de ordem contra o ingresso de organizações sociais na atividade meio da Educação no Estado ("Não à terceirização"). A professora e secretária, contudo, prosseguiu e superou os protestos, afirmando que Dilma deveria voltar à presidência e arrancou aplausos do público. 
 
"O golpe não foi só contra você. Teve você como simbologia, mas ele foi contra os trabalhadores e os pobres", disse Cida. 
 
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Ao iniciar sua palestra, a ex-presidente foi muito aplaudida pelo público que lotou o auditório e mereceu um elogio do representante da Fundação Perseu Abramo, Luiz Fernando Vitaliano, como o mais expressivo encontrado na série de conferências promovidas para debater o "Golpe". No discurso, a petista disse que era uma honra estar na Paraíba, porque no Estado, no governo dela e no de Lula, houve uma parceria estreita com o governador Ricardo Coutinho (PSB).
 
Dilma abordou seu processo de impeachment e disse que a crise política que tomou conta do Brasil seria uma prova de que a retirada de seu mandato seria uma forma de promover um golpe na democracia brasileira. Ela ainda criticou alguns dos personagens à frente do processo que lhe tirou do Palácio do Planalto:
 
“Quero dizer que a história está sendo implacável com os golpistas, como Temer, Aécio e Cunha. Se o impeachment era golpe ou não, saiu do terreiro da especulação e está no terreno dos fatos, é inquestionável hoje que foi dado um golpe”, comentou.
 
O tema "gestão" foi outro assunto abordado pela ex-presidente: "Falar em gestão é discutir para quem vão os recursos, aonde eles são alocados e em que território eles têm prioridade. O Brasil, ao longo de sua história, tem lutado contra a lógica do privilégio. A escravidão integra essa lógica. Por isso, até hoje é impraticável para alguns supor que os pobres frequentem aeroportos e frequentem os cursos de Medicina. Uso as palavras de uma jovem formanda que disse que a Casa Grande surta quando a senzala chega a ser médica. Não é uma questão técnica discutir gestão. Fizemos um grande esforço de construir políticas públicas que tinham como foco a desigualdade de renda. Este tipo de gestão priorizou o gasto com a redução da desigualdade, que está em todas as nossas políticas, e dava especial valor ao desenvolvimento com soberania nacional. Agora, está em andamento a privatização das terras, que já são privadas em maioria, mas essa última privatização é para vender aos estrangeiros a preço de banana e isso é muito grave porque envolve a soberania nacional. Gestão é um conceito que tem a ver com política, poder e democracia. Envolve a decisão de incluir apenas especialistas ou se abrange a participação popular, como fizemos em várias conferências populares em todo o País. É impossível hoje discutir gestão se não levarmos em conta em que situação democrática isso está se dando. Aí, entramos no terreno da resistência ao golpe. Para que se faz um golpe? Uma historiadora e cientista política que estudou as condições de crise em várias circunstâncias no governo de Pinochet no Chile, passando pelos efeitos no Reino Unido que foi a crise da invasão nas Malvinas, ela disse que quando fica claro que por meios democráticos não é possível implantar uma gestão diferente daquela que está em curso, aproveita-se a crise econômica ou implantação de ditadura para fazer com que o politicamente impensável se torne inevitável, com medidas de exceção.". 
 
 
A conferência ministrada por Dilma integrou a programação do Curso de Difusão do Conhecimento em Gestão Pública e Resistência ao Golpe, com duração de três meses, com 110 horas totais, sendo 90h on-line e 20h presenciais. Dentre as aulas presenciais constam: abertura, encerramento e três oficinas presenciais. São 15 aulas virtuais que discutem políticas públicas no Brasil e estratégias de organização pós-golpe. A promoção é da Fundação Perseu Abramo. 

Com ParlamentoPB
 



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