
Em uma das conversas, interceptadas pela Polícia Federal, uma gestora que não foi citada na investigação, questiona Kátia Suênia Macedo Maia, investigada na Operação Famintos, sobre quem receberia o pagamento da merenda para a unidade escolar.
Em outra conversa, uma pessoa não identificada aciona o motorista para coletar a assinatura de Renato Faustino da Silva, que era supostamente dono de uma empresa. O empreendimento foi aberto, segundo o próprio Renato em depoimento à Polícia Federal, após ele ter sido abordado por Marco Antônio e ter recebido uma proposta de receber R$ 1 mil para emprestar o nome.
Ao prestar depoimento na primeira fase da operação, Lucildo afirmou aos policiais que levava documentos também para Rosildo de Lima Silva assinar. Rosildo é apontado como ‘laranja’ pelo Ministério Público Federal.
Ao Jornal da Paraíba, o advogado do ex-secretário Paulo Roberto, Félix Araújo Filho, garantiu que não há qualquer ilicitude na atuação dele enquanto esteve à frente da Secretaria. Os advogados de Marco Antônio Quirino e José Lucildo também não foram localizados. Os representantes de Kátia Suênia e Flávio Souza Maia também foram procurados, mas não conseguiu falar com eles sobre as gravações.
A Operação Famintos foi desencadeada no dia 24 de julho em Campina Grande e outras cidades da Paraíba. Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União investigam um suposto esquema de desvios de recursos federais do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), geridos pela Prefeitura de Campina Grande. O prejuízo ultrapassa R$ 2,3 milhões.
Segundo o MPF, foi instaurado um inquérito para apurar supostos delitos relacionados a licitações e contratações fraudulentas no município de Campina Grande, principalmente na Secretaria de Educação, envolvendo empresas de fachada e desvio de verbas provenientes de programas federais para compra de merenda escolar.
Em despacho que autorizou os mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, o juiz da 4º Vara Federal de Campina Grande, Vinícius Costa Vidor, afirma que se observa a presença de uma organização criminosa voltada à prática, especialmente, de crimes contra a administração pública, onde empresários, servidores e secretários estão envolvidos.
Por Jornal da Paraíba e TV Paraíba - G1PB
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