Os fins da ocupação
O documento que pede uma nova reintegração de posse afirma também que a universidade é um local de livre acesso ao público para fins acadêmicos, mas estaria havendo vandalismo, shows e manifestações "com temática totalmente alheia à declarada motivação da ocupação".
Em conversa com o G1 na segunda-feira, o advogado da ocupação, Breno Mello, afirma que ocupação é antes de tudo cultural, com atividades pedagógicas, apresentações e aulas públicas - ações ligadas ao objetivo constitucional e pedagógico da universidade. Dessa forma, alegações de vandalismo e aglomerações seriam uma forma de deslegitimar a ocupação.
A Ocupação Alph divulga sua programação em postagens diárias em uma rede social. Amostras de filmes, oficinas de artesanato e arte, aulas, rodas de conversa, debates e apresentações culturais fazem parte da do dia à dia da ocupação.
O defensor público Edson Andrade afirma que são os próprios manifestantes que devem pautar o protesto: "Não me parece possível que, tanto a universidade quando o poder judiciário, queiram fixar como se deve fazer um protesto. (...) Se os manifestantes entendem que é importante fazer um evento cultural na manifestação, isso é legítimo. São os manifestantes que vem pautar o protesto".
Eventuais pichações ou outros atos depredativos, se vierem a ocorrer, não estão intrinsecamente ligados à manifestação em curso e devem ser impedidos, conforme a defensoria.
"A manifestação não é de vandalismo, a manifestação é um ato pacífico; silencioso. Então, acho que quando se confunde eventuais excessos com a própria manifestação em si, acho que sim, tentam deslegitimar a manifestação."
Estudantes da UFPB em ato em frente à reitoria, no dia 11 de novembro — Foto: Lara Brito/G1 PB
Nova reintegração de posse
O juiz determinou também que, caso haja descumprimento do mandado de reintegração, uma desocupação forçada, inclusive com uso de força policial, pode ser usada caso necessário.
Nomeação de reitor da UFPB e a Ocupação Alph
O docente foi o último colocado na consulta online entre os professores, técnico-administrativos e alunos, com soma ponderada e normalizada de 106,496. Além disso, Valdiney não teve nenhum voto durante a formação da lista tríplice pelo Conselho Universitário (Consuni).
Docentes UFPB, em decisão da Sindicato dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba (AdufPB), fizeram duas paralisações, uma em 18 de novembro e outra em 26 de novembro, como forma de protesto contra o novo reitor. Ambas ações reuniram estudantes, professores e entidades do movimento estudantil que aderiram à manifestação fazendo atos públicos.
Além da paralisação, uma aula pública virtual, por meio do canal da AdufPB no YouTube foi realizada. Com cerca de 12 horas de programação, o ato contou com palestras no formato de lives, documentários, fotografias e apresentações musicais.
Por Lara Brito*, G1 PB