
Uma escola construída em terreno comprado com doações e mantida com apoio de pessoas como o teólogo Frei Betto e o trabalho de 30 professores e diretores voluntários atende 233 alunos, a maioria filhos de agricultores da zona rural de Bananeiras, no Agreste da Paraíba. O projeto, que começou em 2005 na casa de um agricultor, foi reconhecido neste mês de abril, como uma ‘Escola Transformadora’, a primeira do estado a ser incorporada pelo programa, que pretende “fortalecer a visão que todo estudante, educador, gestor e comunidade escolar são agentes de transformação”.
A primeira ‘Escola Transformadora’ da Paraíba é a Escola Nossa Senhora do Carmo, um projeto das irmãs carmelitas que atuam na região e que nasceu como uma ação de Educação de Jovens e Adultos. Com uma proposta de educação popular, a escola trabalha as dimensões física, espiritual e psicológica dos alunos, valores como dignidade, respeito, fraternidade e solidariedade e tem como foco quem não tem oportunidade de estudar.
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Escola adotou formato de trabalho com salas multisseries e pedagogia de projetos (Foto: Escola Nossa Senhora do Carmo/acervo)
Segundo a diretora da escola, Leila Coelho, “nada aqui é imposto, tudo parte do interesse dos estudantes e os tutores auxiliam no caminho a ser percorrido pelo grupo”. A proposta revolucionou o currículo e adotou um formato diferente de trabalho, com a pedagogia de projetos em salas que reúnem alunos de séries variadas.
Ainda segundo Leila, a ação se propõe a ouvir intensamente os alunos, respeitando suas trajetórias e repertórios e considerando suas necessidades. “Assim, as crianças sentem-se seguras e as relações estabelecidas são harmoniosas, de respeito e acolhimento”, diz.
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Escola foi a única pública com medalhas na Olimpíada Paraibana de Informática (Foto: Escola Nossa Senhora do Carmo/acervo)
Antes de ser considerada ‘Escola Transformadora’, a experiência da Nossa Senhora do Carmo recebeu em 2016 um certificado do Ministério da Educação por ser considerada uma “instituição de referência para a inovação e criatividade na educação básica”. No mesmo ano, dois alunos receberam medalhas de prata e honra ao mérito na Olimpíada Paraibana de Informática, os únicos de escola pública entre 36 medalhas distribuídas.
“Alinhadas aos valores do Programa, a escola chega para fortalecer a atuação de uma comunidade dedicada a questionar modelos de educação pautados exclusivamente na aprendizagem de conteúdos cognitivos dissociados da vida e do sentido social da educação”, destaca a assessora pedagógica do Instituto Alana, Raquel Franzim. Ela completa dizendo que “além disso, abrem-se diálogos com a sociedade sobre novos caminhos para o ensino-aprendizagem e o impacto disso nas relações humanas nos territórios”.
G1
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