Bananeiras tem homenagens, bate papos entre escritores e lançamentos de livros
27/10/2019
Dona Terezinha recebendo placa das mãos do prefeito Douglas Lucena.
Evento que nasceu com o sentimento de estimular a leitura e literatura, o Festival Literário de Bananeiras começou na sexta-feira (25) com grande movimentação cultural na cidade até este domingo (27). Nesta primeira edição, a festa presta homenagem a contadora de histórias Dona Terezinha de Goiamunduba e traz como atrações principais grandes nomes da literatura estadual e nacional.
Com uma programação formada por mesa redonda e bate papos, o primeiro dia do evento começou com a homenagem a Dona Terezinha. O prefeito de Bananeiras, Douglas Lucena, acolheu os convidados e entregou uma placa para a contadora de histórias, como forma de reverência ao que ela representa para o município. Para ele, este é um momento de celebração.
“O Festival Literário em sua primeira edição se propôs a tratar muito sobre história e escolhemos uma contadora de histórias local para poder fazer a ligação de todos esses pontos. Nomes nacionais estarão por aqui, mas esse instante de homenagem eu creio que é o de maior impacto afetivo. Tanto para a homenageada, quanto para os componentes do festival e para a nossa cidade. Estamos muito felizes porque o festival de Bananeiras já começou com letras grandes”, afirma.
Emocionada, Dona Terezinha agradeceu o carinho com o qual é tratada por todos que a procuram para escutar suas histórias. “Obrigada meu povo, em especial a todos os que estão aqui. Uma pessoa que nem eu ser tão querida e amada por tantas pessoas. Eu fico muito feliz. Eu trago aqui as minhas verdades”, pontuou.
Dando seguimento à programação da manhã, os escritores Políbio Alves, Lau Siqueira e Everaldo Lucena participaram da mesa redonda “Quem escreve, lê o quê?”. O bate papo teve como objetivo fazer uma reflexão sobre a base da escrita e o que levou aquelas pessoas a começarem a escrever, qual autor serviu como inspiração. Ou seja, a história de cada um no universo da literatura.
O escritor Políbio Alves agradeceu o convite e elogiou a iniciativa da prefeitura em fazer um evento como este. “Nenhum país pode se desenvolver se não for através da leitura, cultura e da arte. Parabenizo a prefeitura de Bananeiras por realizar um evento desse porte. Isso é um ato que deve ser louvado, ele dá dignidade às pessoas. Achei o tema da mesa impactante. Se não fossem os livros e a leitura, eu provavelmente não estaria aqui e nem seria quem eu sou hoje”.
Já o poeta Lau Siqueira ficou impressionado com a grandiosidade do evento, com a adesão de crianças e se sentiu tocado com a homenageada do festival. “Minha mãe era contadora de histórias e esse foi o meu primeiro passo para a literatura. A literatura é um direito humano. Esse evento traz um benefício muito bom para a cidade, para as pessoas. A experiência da leitura é fantástica. Escrever é só um detalhe”.
O professor e escritor Iveraldo Lucena também elogiou o festival e parabenizou o município pela iniciativa. “Parabenizo também pela sensibilidade de prestar uma homenagem a uma contadora de histórias. Quem tem lembranças do passado, tem nelas uma referência muito singular”. Em sua fala, Iveraldo afirmou a importância de alfabetizar uma população e que esse é o primeiro passo para formar leitores. “A leitura é fundamental para o desenvolvimento do ser humano. Seja ele escritor ou não”.
Na parte da tarde, a programação começou com uma mesa redonda sobre “As Gerações Afetivas na Escrita”. As escritoras Ana Adelaide Peixoto, Bernardina Freire, Débora Ferraz e Isabor Quintiere expuseram um pouco de suas trajetórias na literatura e conversaram com um público formado predominantemente por jovens estudantes sobre a formação do leitor. Ana Adelaide expressou sua satisfação em compor a lista de atrações do evento e contou que se sentiu impactada e feliz quando teve conhecimento da homenageada, Dona Terezinha. “Me identifico com esse evento por conta da homenagem a uma contadora de história, pois me considero também uma contadora de histórias. E me sinto muito feliz em fazer parte de um festival literário. Num país como o nosso, de dimensões continentais, Incentivar a leitura é de extrema importância”, observa.

A professora Bernardina ressalta que o festival já nasce grande e que esse é um movimento importante para a formação de leitores. “Bananeiras está de parabéns. É uma honra estar aqui presente”, comenta. Já Débora elogia o fato de o evento se aproximar das escolas e dos estudantes, preparando a base para que a feira literária possa crescer. A escritora Isabor Quintiere, que já esteve presente no município realizando oficina de literatura, afirmou que estava feliz em retornar à Bananeiras e ver os estudantes interessados em leitura e envolvidos com a temática.
Dando continuidade à programação, o grupo Confraria Sol das Letras realizou um Pôr do Sol Literário no Cruzeiro de Roma. O membro fundador da confraria, Chico Pereira, lembra que Bananeiras tem uma tradição cultural forte na Paraíba. Para ele, o evento literário traz uma importante discussão sobre a literatura brasileira de hoje, atém de outros assuntos como a questão da escrita de um modo geral, a questão do mercado de livro, da sobrevivência das livrarias e o posicionamento desse mercado na era da internet. Na ocasião, foram lançados os livros de Chico Pereira, Ana Paula Cavalcanti e Tony Santos.
Encerrando a noite, o escritor Laurentino Gomes fez o lançamento de seu mais recente livro “Escravidão”. No palco, o autor participou de uma mesa redonda com o jornalista e presidente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, Ramalho Leite, e o radialista Eraldo Luis. Em sua fala, ele pontuou que eventos como esse é um sinal de esperança para o Brasil. Laurentino Gomes acredita que o país está passando por um momento hostil com relação à cultura e qualquer manifestação artística. O jornalista e escritor lamentou o fato de o Brasil lê muito pouco e presenciar um evento que incentive à leitura é animador.

“Vir aqui, em um lugar longe do eixo Rio-São Paulo-Brasília, e perceber que Brasil tá vivo, tá pulsando, tá criando, isso pra mim é uma coisa muito animadora, especialmente na área da literatura. Eu tenho uma historia de amor tardia, mas fulminante no estado da Paraíba. Espero dar uma contribuição. Que as pessoas leiam meu livro e percebam quem tem uma história de dor, de sofrimento na formação da sociedade brasileira que é a escravidão Mas é também pela reflexão, pelo estudo, que nós vamos superar esses passivos históricos que nós acumulamos e vamos encaminha em direção ao futuro com mais dignidade e esperança”, afirma.
Ramalho Leite ressaltou que a primeira edição do Festival Literário de Bananeiras já começou fazendo sucesso e que isso representa um crescimento cultural para a cidade. “Bananeiras é uma cidade universitária. Juntar um festival desse com um município como Bananeiras é uma mão na luva. A incitava chegou em boa hora”, comenta.
Curadores do festival, Juca Pontes e Anastácia Alencar estavam satisfeitos com o resultado do primeiro dia de evento. Anastácia destaca a importância do evento trabalhar Dona Terezinha, que é a base da história. “Confirmamos em duas mesas essa atenção à contadora de história que faz parte da literatura oral da vida e das histórias das pessoas de um local. Isso pra mim foi impactante”, pontua. Juca Pontes destacou a possibilidade de convivência do autor com leitor e afirmou que esse é o maior objetivo do festival.
O prefeito Douglas Lucena avaliou o primeiro de forma positiva. Ele ressaltou que Bananeiras conseguiu congregar nomes de grande valor na Paraíba e no pais e, assim, atrair o público. “Isso faz com que nós nos fortaleçamos culturalmente. Eu faço aqui um agradecimento a toda nossa equipe que tem trabalhado de maneira incansável para realizar o evento, ao público que tem nos prestigiado e acolhido a proposta e à imprensa paraibana que de maneira generosa fez a cobertura ao longo desses últimos dias e isso nos deu uma escala maior e uma dimensão no tamanho que Bananeiras merece”, completa.
Além de conversas entre escritores e lançamentos de livros, atividades paralelas aconteceram simultaneamente na Praça Epitácio Pessoa, com a exposição “Bananeiras 140 anos” realizada pela escolas municipais, e no Ginásio de Esportes O Ramalhão, com a exposição “Bananeiras Sob o Olhar de uma Criança”, um projeto das Escolas Municipais de Educação Infantil.
O Festival Literário de Bananeiras é uma realização da Prefeitura Municipal de Bananeiras, com o apoio da Universidade Federal da Paraíba - Campus III, Sebrae PB, Fecomércio, Feira Vó Corine e a Associação das Esposas dos Magistrados da Paraíba.
Bananeiras Online com Assessoria
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