Negros têm 8 vezes mais risco de serem assassinados do que não negros na PB
28/08/2020
Negros sofrem 8 vezes mais risco de serem assassinados do que não negros na Paraíba, diz estudo — Foto: Walter Paparazzo/G1/Arquivo
Pessoas negras sofrem 8,9 vezes mais risco de serem assassinadas do que não negros na Paraíba, de acordo com os dados do Atlas da Violência 2020 divulgado nesta quinta-feira (27). O levantamento da violência no Brasil inclui o período entre 2008 e 2018.
A Paraíba apresenta o 2° maior risco de assassinato de pessoas negras (8,9). O estado de Alagoas a tem a maior taxa do país (17,2). Segundo o Atlas, o número representa a soma de pardos e pretos, enquanto o de não negros se dá pela soma de brancos, amarelos e indígenas.
Risco relativo de negros serem assassinados no Nordeste
Razão de risco relativo17173,33,34,74,72,42,48,98,93,13,12,92,94,34,35,15,1AlagoasBahiaCearáMaranhãoParaíbaPernambucoPiauíRio Grande do NorteSergipe05101520
Bahia
Estados 3,3
Fonte: Atlas da Violência 2020
Em 2018, o número de homicídios de não negros na Paraíba foi de 65, enquanto o de negros foi de 1.156 - ou seja, 17 vezes maior. A cada 100 mil paraibanos, 43 negros são mortos e 4 não negros são vítimas da violência.
A taxa de homicídios de jovens foi de 66,6 a cada 100 mil habitantes na Paraíba, sendo maior que a taxa nacional, de 60,4. Em todo o país, os homicídios são a principal causa de mortalidade de jovens (pessoas entre 15 e 29 anos), de acordo com o Atlas.
Em um recorte de gênero, a taxa de homicídios de mulheres a cada 100 mil habitantes foi de 3,9. Em 2018, o ano com dados mais recentes do Atlas, foram registrados 82 assassinatos de mulheres.
Entre as mortes violentas de mulheres, 87,7% das vítimas eram mulheres negras. O documento aponta os números de homicídios de mulheres no geral e nas residências e por arma de fogo, sem apontar o número de feminicídios por não constar nos registros Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/MS), base utilizada para o Atlas.
Raça/cor das mulheres vítimas de homicídio na Paraíba
Não negras: 12,3Negras: 87,7
Não negras 12,3
Fonte: Atlas da Violência 2020
O Atlas também mostra dados de violência contra a população LGBTQI+. Na Paraíba, o número de denúncias de violência contra LGBTQI+ em 2018 foi de 55, aumentando em comparação aos anos de 2015 (40), 2016 (44) e 2017 (46).
Também em 2018, foram registrados 9 denúncias de lesão corporal contra os LGBTQI+, uma tentativa de homicídio e 4 homicídios na Paraíba.
A taxa de homicídios na Paraíba tem diminuído, conforme o Atlas da Violência, desde 2011, quando registrou 42,6 homicídios a cada 100 mil habitantes. Em 2012 foi de 40,0; 39,6 em 2013; 39,3 em 2014; 38,3 em 2015; 33,9 em 2016; 33,3 em 2017; e 31,1 em 2018.