
A prevalência da AIDS na Paraíba se mantém estável nos últimos nove anos, mas o aumento dos casos em grupos específicos, como o de jovens homossexuais, é motivo de preocupação, como mostram os dados do Boletim Epidemiológico AIDS 2015 da Secretária de Saúde do Estado, expostos na última quinta-feira (03) em uma sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), em alusão ao Dia Mundial da Luta contra a AIDS.
Entre os jovens homossexuais, de 20 a 29 anos, a incidência aumentou de 10% em 2007 para mais de 30% em 2015. Outro grupo específico que chamou atenção foi o de gestantes e crianças menores de cinco anos, nele o número de notificações passou de 34 casos em 2007, para 62 em 2015. Em nove anos já foram registrados 539 casos de gestantes e 68 crianças infectadas durante o parto. De acordo com a gerente operacional de DST/AIDS/ Hepatites Virais da Secretaria de Saúde do Estado, Ivoneide Lucena, a parcela jovem da população passou a manter relações sexuais sem preservativo.
“Esse comportamento de risco representa atualmente 14% dos diagnósticos positivos na Paraíba, compreendendo jovens entre 15 e 29 anos portadores do vírus HIV. É importante que as pessoas que se expõem em relações sem uso da camisinha procurem fazer o teste rápido, para saber sua condição e evitar que mais pessoas sejam infectadas”, revelou.
O levantamento apresentado hoje mostra ainda que morreram entre 2007 e 2015, 1.059 pessoas vitimas da doença. No ano de 2007 foram 94 óbitos, em 2013 foi registrado o maior pico, chegando 145 pessoas, e até o final de dezembro deste ano a Secretaria de Saúde do Estado estima no total 132 pessoas mortas pelo vírus HIV.
Neste ano, entre os meses de janeiro e novembro, a Paraíba registrou 744 casos de HIV positivo. Segundo os dados, destes casos, 132 foram registrados em jovens entre 15 e 29 anos. O número também inclui as pessoas que são HIV positivo, mas não são portadoras da AIDS.
A sessão foi presidida pela deputada Estela Bezerra, que reforçou a importância de discussões como esta, já que com o aumento no número de pessoas infectadas cresce também o preconceito. A deputada também comentou sobre a ampliação do diagnóstico na rede de saúde pública. “Hoje em dia temos mais facilidade para detectar casos de AIDS, mas isso não exclui a importância do autocuidado, como o uso de preservativo nas relações sexuais”, disse Estela Bezerra.
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