
A operação foi resultado de uma denúncia feita ao Ministério da Agricultura. Os dois estabelecimentos atuavam no abate de bovinos, suínos, ovinos, caprinos e frangos, e funcionavam, irregularmente, na zona rural da cidade. De acordo com o auditor fiscal federal agropecuário, Vandberg Barbosa Braz, o mau cheiro nos locais e os riscos à saúde pública foram os motivos para a população denunciar. “Os riscos à saúde pública são elevados e vão desde infecções ou intoxicações alimentares até zoonoses, como brucelose e tuberculose”, destacou.
Ele explicou que foram identificados nos locais problemas higiênico-sanitários, entre eles, falta de inspeção sanitária por inspetor veterinário dos animais abatidos, instalações e equipamentos precários, com péssimo estado de higiene, operários sem uniformes e práticas de higiene. “Animais abatidos sem técnicas humanitárias de abate, onde se usava machado para abater os animais, prática há muito já condenada. Além disso, as carcaças e vísceras comestíveis como fígado, coração e buchos, tinham contato com superfícies contaminadas, não sendo submetidas a resfriamento, e conduzidas a diversos açougues e supermercados do município”, relatou o auditor.
Durante a operação, foi observado que o transporte dos produtos aos estabelecimentos de comércio era feito no interior de carrocerias de veículos, cobertos por lonas. Isso, conforme o auditor Vandberg Barbosa Braz, complementava a cadeia anti-higiênica de produção.
Tudo isso, sem contar que os efluentes e resíduos do abate eram destinados a um córrego em um dos abatedouros e, no outro, na superfície do terreno, sem qualquer tratamento prévio. Havia, inclusive, urubus e inúmeras ossadas num dos abatedouros. “Quanto à questão trabalhista, os operários não eram regularizados e trabalhavam em condições precárias”, completou. Um dos abatedouros funcionava no Sítio Vera Cruz, de propriedade de Francisco Gutemberg Moreira da Costa, conhecido por Gugu. O outro era de propriedade de Ubiratan Estrela Rocha, no Sítio Olho d Água, às margens da Rodovia PB-393.
Além do auditor, participaram da operação a agente de inspeção, Bernadete Pereira de Sousa; do Ministério Público do Trabalho, o perito em Segurança do Trabalho, Juliano Sitônio.
Portal Correio
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