Pai e filho matam pitbull de vizinho a facadas e pauladas em briga com cão

12/05/2017
Cão pitbull teve ferimentos nas patas, dorso e, principalmente, pescoço. Ele morreu horas depois. Foto: Arquivo família
Cão pitbull teve ferimentos nas patas, dorso e, principalmente, pescoço. Ele morreu horas depois. Foto: Arquivo família

Um cão da raça pitbull foi morto a facadas e pauladas por dois vizinhos que invadiram uma oficina mecânica na Cidade Industrial de Curitiba. O tutor do cão, o mecânico Josmar dos Santos, de 24 anos, registrou Boletim de Ocorrência (BO) na Polícia Militar (PM) e denunciou o caso à Banda B.

Embora tenha sido socorrido, o pitbull não resistiu e morreu horas depois de hemorragia interna e parada cardiorrespiratória. Segundo Santos, o argumento dos vizinhos para a agressão teria sido a tentativa de apartar uma briga entre o pitbull e um cão de rua que acontecia dentro da mecânica, onde o pitbull vivia. Entretanto, o tutor não acredita na versão e acusa os vizinhos de assassinato. 

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O cão da família foi levado para a mecânica na sexta-feira (5), dois dias antes do episódio. A ideia era deixá-lo solto na oficina enquanto estivesse fechada e dentro do cercado durante o expediente diário na mecânica, que trabalha exclusivamente com caminhões. “Sempre tivemos mecânica, aqui é bem grande, e nunca tinha trazido ele para cá porque não tinha cercado. O dono do barracão fez o cercado, fizemos mais uns ajustes para garantir que ele não escapasse e, então, trouxe ele na sexta-feira, ficou poucos dias aqui, tadinho. No sábado à noite, eu soltei ele aqui dentro para que cuidasse da oficina e no domingo minha mãe e meu padrasto foram lá levar comida e água para ele”, descreveu Santos.

Briga

A mãe do mecânico notou que dentro da mecânica havia outro cão, um já conhecido de todos na região, que vive nas ruas. “Ela estava sem a chave de dentro, tinha dado comida e água por um vão no canto, entre as portas, e não conseguiu tirar o cachorro lá de dentro, mas eles não estavam brigando. Minha mãe foi até o outro lado e deu ração para o outro cachorro também. Quando meu padrasto fez carinho no nosso cachorro, o outro avançou e eles começaram a brigar”, contou.

Enquanto a mãe e o padrasto de Santos tentavam entrar no barracão para separá-los, os vizinhos – pai e filho – pularam o muro alto da mecânico munidos de faca e pedaço de madeira. O pitbull foi esfaqueado diversas vezes, até quando, segundo o tutor, já estava longe do outro cão. “O cachorro está lá na rua, sem mordida, sem ferimento, nosso pitbull não machucou, ele segurou com a boca, mas não machucou, não tinha porque esfaquear, meter a faca nele, na barriga, no pescoço”, lamentou à Banda B.

Motivações

O tutor acredita que a motivação para invadir a mecânica e ferir no cão não teve objetivo mor de salvar o cão de rua. Para ele, as confusões passadas envolvendo o vizinho, inclusive com cães de outras pessoas, seja a razão. “Ninguém vai entrar para separar uma briga com uma faca e um pedaço de pau e, quando separar, continuar a ferir o cão. Eles pularam para matar mesmo, foram muitas facadas. Se fosse um cuidador, nem isso, tem outras confusões envolvendo cães fêmeas aqui, acusações graves, inclusive”, contou. 

Fuga

Quando Santos chegou na oficina, junto do irmão, o vizinho e o filho tinham fugido do local. A mãe (e vó do rapaz) atendeu ao tutor, pediu desculpas e disse que arcaria com as custas. “Uma crueldade, não tem o que pagar, o nosso cachorro morreu”, finalizou.

Investigações

O B.O foi registrado no 23º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e será encaminhado hoje (11) ao 11º Distrito Policial, que passará a investigar o caso.

A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605, de 12.02.1998 (Lei de Crimes Ambientais) e pela Constituição Federal Brasileira, de 05 de outubro de 1988.

Segundo o artigo 32, praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos tem pena como detenção, de três meses a um ano, e multa. O inciso segundo afirma que a pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal. 

Por Elizangela Jubanski - Banda B




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