
Os quatro adolescentes apreendidos por suspeita de terem embriagado e estuprado uma garota de 17 anos em Bom Jesus, no Sul do Piauí, foram liberados nesta sexta-feira (27) após determinação judicial. Na sentença, o juiz Eliomar Rios Ferreira justificou que os menores têm bons antecedentes e a soltura deles não representaria risco para a sociedade e nem prejudicaria o andamento do processo. Apenas o jovem de 18 anos foi mantido preso e encaminhado ao presídio da cidade.
A vítima de 17 anos foi encontrada em uma obra abandonada no sábado (21), amarrada e amordaçada com a própria calcinha. Ela chegou a contar que foi conduzida ao local e violentada pelos cinco suspeitos. Populares socorreram a vítima, que foi encaminhada para o hospital de Bom Jesus e liberada após avaliação psicológica.
Na quarta-feira (25), a promotora de Justiça Gabriela Santana havia solicitado a internação dos quatro adolescentes para o Centro Educacional Masculino (CEM) em Teresina, depois que o laudo médico confirmou o abuso sexual na vítima. Apesar do exame, o juiz Eliomar Rios Ferreira negou o pedido do Ministério Público Estadual e decidiu por liberar os menores, mas marcou uma audiência do processo para o dia 1º de junho.
Para o delegado Aldely Fontineli, responsável pelo caso, a liberação dos quatro adolescentes também foi motivada pelo excesso de prazo dado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que permite a permanência de menores na delegacia por até cinco dias. Ele revelou aoG1 não ter dúvidas da participação dos suspeitos no estupro coletivo.
“O jovem assumiu ter dito conjunção canal com vítima e detalhou a participação dos demais no crime. Inclusive dois dos menores, no calor da emoção, também confessaram o estupro e no dia seguinte apresentaram uma outra versão idêntica. Não há dúvidas do envolvimento dos adolescentes, a própria vítima confirmou que eles também cometeram o crime. Resta agora esperar o resultado dos exames dos espermas coletados na garota, que vão confirmar o estupro coletivo”, declarou.
A ONU Mulheres divulgou um comunicado na quinta-feira (26) solidarizando-se com as duas adolescentes que foram vítimas de estupro coletivo nos últimos dias no Brasil, uma no Rio de Janeiro e outra em Bom Jesus, Piauí. O braço da organização internacional no Brasil pede à sociedade brasileira “tolerância zero a todas as formas de violência contra as mulheres e a sua banalização”.
“Eu questionei se eles não fizeram nada para impedir e os quatro declararam achar normal o ato, mesmo com a vítima embriagada e sem condições de responder por si. Eles relataram com riqueza de detalhes a vítima reclamando da sensação de tortura e vomitando. Só que eu achei estranho alguém ir em uma obra abandonada para apreciar a paisagem, como os adolescentes alegam. Tudo indica que os menores combinaram a mesma versão e foram ao local para fazer uso de droga”, revelou a promotora.
“O laudo médico confirmou o abuso, mas somente um exame de DNA vai provar o estupro coletivo. Já conversei com o delegado e vamos solicitar o teste, assim como ouvir testemunhas e os socorristas do Samu. Pedi também ao Creas a realização de um estudo social das famílias desses menores para saber em quem meio eles estão inseridos e como isto pode influenciar na pena”, disse.
No mês em que o estupro coletivo completa um ano, o G1 conseguiu entrevistar com exclusividade os três adolescentes. Eles alegam inocência e dizem que confessaram o crime após serem torturados pela polícia.
G1
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