Cunha ironiza pedido de afastamento: Vo ter de me aturar um pouquinho mais
14/10/2015
Presidente da Câmara rejeita cinco pedidos de impeachment e diz que recorrerá de decisões liminares do Supremo sobre rito
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que recorrerá ainda nesta quarta-feira (14) para derrubar as liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal que alteram o rito de apreciação dos pedidos de Impeachment estabelecidos por ele em resposta a questão de ordem da oposição.
Na tarde desta terça-feira (13), Cunha disse ter rejeitado mais cinco pedidos de impeachment e que deverá concluir a lista de pedidos ainda hoje, restando apenas aquele subscrito pelo ex-vice-prefeito de São Paulo Hélio Bicudo, eleito pela oposição como o cavalo de batalha para destituir a presidente Dilma Rousseff.
“O que estou fazendo continuo a fazer. As oposições me procuraram para fazer um aditamento (ao pedido de impeachment subscrito por Hélio Bicudo) e disse que não ia decidir o (pedido) do Hélio Bicudo e não vou fazer. Os demais eu vou fazer. Devo acabar todos hoje e cinco eu já assinei (indeferindo)”, resumiu Cunha, que afirmou haver ainda outros três pedidos ainda na fila para apreciação. A tendência é que esses também sejam rejeitados, restando somente o pedido de Bicudo.
Cunha disse que ainda nesta quarta-feira deverá recorrer das decisões liminares concedidas pelos ministros Teori Zavascki e Rosa Weber que suspendem os efeitos da resposta à questão de ordem número 105/2015. “Isso é um tema complexo e não dá para uma decisão monocrática prevalecer. Isso terá de ser decido obviamente pelo Plenário do Supremo. Vou recorrer, mas não seremos só nós não. Outros irão recorrer. Pretendo recorrer até amanhã”, afirmou o presidente da Câmara.
Cunha declarou ainda que não vai remeter recursos ao Plenário até que haja uma definição sobre as liminares. Pelo menos um deles, aquele formulado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), já foi alvo de recurso. Advogados ligados a partidos de oposição estiveram reunidos com líderes para definir também uma estratégia de recurso para derrubar as liminares.
Jogo político
Cunha tratou com ironia a iniciativa do PSOL, que foi subscrita por parlamentares de outros partidos, em espacial do PT, de pedir sua cassação no Conselho de Ética da Câmara baseada nas denúncias de que ele tem contas secretas na Suíça. “Quando houve a instauração do inquérito o PSOL pediu meu afastamento, quando houve o depoimento de delator o PSOL pediu meu afastamento, quando houve pedido de denúncia, o PSOL pediu meu afastamento. Por que não iam pedir agora? São meus adversários políticos, isso é normal”, disse em tom irônico.
“Estou aqui firme. Esse é um jogo político. Tenho tranquilidade, farei a defesa que tiver de fazer. Estou absolutamente tranquilo”, declarou o presidente. Ao ser perguntado sobre o que diria para as pessoas que querem seu afastamento, Cunha não abandonou o mesmo tom. “Acho que vão ter de me aturar um pouquinho mais”, declarou.
Por Marcel Frota - iG
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