Um relatório da PF (Polícia Federal) indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões repassados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O documento da PF foi mantido em sigilo por sete meses sob a relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e revelado pela revista Piauí nessa quinta-feira (10).
Ainda segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I.
O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou recebido valores dele. Procurado pela reportagem na manhã desta sexta-feira (11), Toffoli ainda não se manifestou sobre a posse de recursos no exterior.
O relatório afirma que o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário. O empreendimento acabou assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu Toffoli transferiu ativos para o paraíso fiscal no Caribe.
Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos, afirma o relatório revelado pela revista.
Como mostrado pelo Estadão, o ministro é sócio da empresa Maridt que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte de sua participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista.
Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim.
Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças de pagamentos. Aquele negócio do Tayayá não foi feito?, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Por causa disso, Vorcaro se irritou. Cara, me deu um p*** problema. Onde tá a grana?, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele.
Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. Me fala tudo que já foi feito até hoje. Zettel, então, respondeu: Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões.
Do Estadão Conteúdo, via R7

