Defesa de Braga Netto questiona delao e pede a anulao do processo

04/09/2025
Reproduo/TV Justia
Reproduo/TV Justia
A defesa do general Walter Souza Braga Netto pediu, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), a anulação da ação penal que trata da trama golpista, apontando questionamentos sobre a delação premiada firmada entre a Polícia Federal (PF) e o ex-ajudante de Ordens de Jair Bolsonaro Mauro Cid.

O advogado José Luis Mendes de Oliveira Lima, o Juca, responsável pela defesa de Braga Netto, criticou o fato de a acareação não ter sido transmitida, considerando que todos os demais atos do processo foram públicos e divulgados.

“Todos os atos da ação penal foram públicos, foram gravados. Por que a acareação não foi gravada? Qual é o fundamento legal para não se gravar esse ato? Não existe fundamento legal para isso. Não existe”, criticou.
 
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Juca acrescentou que, por causa disso, não conseguiu mostrar aos ministros da Primeira Turma as reações de Mauro Cid ao ser confrontado por Braga Netto.

“Não posso dizer a Vossas Excelências quais foram as expressões do réu colaborador — que mente — quando foi interpelado pelo general Braga Netto [na acareação]. Se ele ficou com a cabeça baixa, com a cabeça para cima, se meu cliente o interpelou e o que meu cliente disse sobre as alegações dele [Mauro Cid]”, afirmou, ressaltando que é direito da defesa gravar a acareação entre as partes envolvidas.

“É um irresponsável esse Mauro Cid”

O advogado elencou contradições do ex-ajudante de ordens ao longo dos depoimentos prestados no âmbito da delação. Juca citou que Cid “lembrou”, somente 15 meses após o início do acordo, o suposto fato de que o general teria entregue dinheiro para financiar uma tentativa de golpe.

“É um escândalo ele esquecer esse detalhe. Não estamos falando de um relógio, de um brinco. Estamos falando da entrega de um dinheiro para financiar um golpe de estado. Vai se dar credibilidade a esse réu colaborador, que mente descaradamente o tempo inteiro? Não é possível. Meu cliente está preso com base na delação dele. Foi esse fato que trouxe a prisão do meu cliente. É um irresponsável esse tenente-coronel Mauro Cid. É um irresponsável para ser educado”, pontuou o advogado.

Por Pablo Giovanni, Manoela Alcântara, José Augusto Limão - Metrópole




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