PF suspeita que Toffoli tenha dinheiro de Vorcaro em paraíso fiscal, diz revista

11/09/2026
Fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná e ligado à família do ministro Dias Toffoli. (Foto: Antonio Augusto/STF – 05.03.2026)
Fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná e ligado à família do ministro Dias Toffoli. (Foto: Antonio Augusto/STF – 05.03.2026)
Um relatório da PF (Polícia Federal) indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões repassados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento da PF foi mantido em sigilo por sete meses sob a relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça e revelado pela revista Piauí nessa quinta-feira (10). Ainda segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I. O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou recebido valores dele. Procurado pela reportagem na manhã desta sexta-feira (11), Toffoli ainda não se manifestou sobre a posse de recursos no exterior. O relatório afirma que o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário. O empreendimento acabou assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu Toffoli transferiu ativos para o paraíso fiscal no Caribe. “Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, afirma o relatório revelado pela revista. Como mostrado pelo Estadão, o ministro é sócio da empresa Maridt que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte de sua participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista. Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”. Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças de pagamentos. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa. Por causa disso, Vorcaro se irritou. “Cara, me deu um p*** problema. Onde tá a grana?”, afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”. Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. “Me fala tudo que já foi feito até hoje”. Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. Do Estadão Conteúdo, via R7


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