Caso Vorcaro: Ministrio da Justia teme contato de defesa com preso sem gravao

10/03/2026
Monitoramento era obrigatrio desde de 2019 com exceo de visitas ntimas. (Reproduo/SAP - Arquivo)
Monitoramento era obrigatrio desde de 2019 com exceo de visitas ntimas. (Reproduo/SAP - Arquivo)
SENAPPEN (Secretaria Nacional de Políticas Penais) do Ministério da Justiça enviou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça documento, de 9 páginas, ao qual o blog teve acesso, apontando 32 motivos para que o ministro não autorizasse pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para ter contato não gravado com o cliente no novo endereço.

Vorcaro está preso na Penitenciária Federal de Brasília desde a última sexta-feira (6), quando foi transferido de um presídio estadual de São Paulo após pedido da Polícia Federal, que alegou manutenção da segurança pública e do próprio preso.

 

As penitenciárias federais têm regras mais severas de contato, justamente para evitar influência desses presos com o lado de fora. Vorcaro voltou a ser preso por continuar atuando para atrapalhar as investigações mesmo em prisão domiciliar. Ele teria ordenado monitoramentos ilegais, inclusive de jornalistas, e ações para impedir o que ele chamava de “negativas” para sua imagem, com violência

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Entre os motivos alegados pela Senappen para que Mendonça não autorizasse o contato, estão a preocupação de cooptação do preso, que, se não for gravado durante suas conversas, que nas federais acontecem em um parlatório, poderia repassar mensagens de presos perigosos com quem pode ter contato.

Estão presos na penitenciária Federal de Brasília traficantes internacionais de facções brasileiras, como Marco Williams Camacho, o Marcola, já grampeado, diversas vezes, em tentativas de se comunicar por códigos com a esposa e com advogados no parlatório da federal.

Foi através desse monitoramento de inteligência do sistema penitenciário federal que a Polícia Federal recebeu material suficiente para desarticular planos de assassinar autoridades públicas, entre elas, o ex-ministro da Justiça e atual senador da República Sérgio Moro.

Moro foi responsável por mudar, inicialmente, regras nas penitenciárias federais proibindo até visitas íntimas.

No documento, a Senappen também relembra as mortes de três servidores que foram assassinados por faccionados em um plano feito dentro da prisão para pressionar mais flexibilidade dentro das federais.

Nos bastidores, a preocupação com a decisão do ministro de autorizar essa exceção na regra das conversas com advogados abre um perigoso precedente.

Para a defesa, o contato não monitorado é garantido em lei e é imprescindível para a confidencialidade do contato defesa x cliente.

Leia os 32 motivos alegados pela Senappen para que Vorcaro não tenha conversas gravadas aqui.

Por Natália Martins - R7

 



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