Inaldo Leitão acusa revistas de adotarem jogo sujo na conjuntura política

02/04/2016

 O professor Inaldo Leitão, em nova análise, comenta sobre a conjuntura política do Brasil. Ele aborda três revistas de circulação semanal no país e suas posições políticas. "Estamos reféns de três revistas que parecem combinar a orquestração de três mentiras diferentes a cada semana. Grandes jornais e poderosas emissoras de televisão também tocam os mesmos instrumentos e entoam o mesmo canto da mentira e da má informação",

Confira o texto na íntegra

A arte da guerra suja

Inaldo Leitão*

Na tentativa de manipular a opinião pública através de informações distorcidas, quando não mentirosas, as três mais importantes revistas semanais em circulação no Brasil vêm produzindo matérias que podem ser consideradas afrontosas à ética, à verdade e ao dever de bem informar. Valendo-se da liberdade de expressão - cláusula indevassável do Estado Democrático de Direito - as revistas Veja, Época e Isto É insistem na reiterada prática de utilizar a mentira para defender o impeachment da Presidente Dilma Rousselff. Cito como exemplo as últimas edições.

Comecemos pela manchete de capa da Veja: "O PLANO SECRETO DE LULA PARA EVITAR A PRISÃO: PEDIR ASILO À ITÁLIA E DEIXAR O BRASIL". A verdade: o pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula, sem fundamento legal e mal formulado por três Promotores de Justiça de São Paulo, foi censurado por Ministros do Supremo Tribunal Federal e inúmeros juristas brasileiros, estando hoje sepultado no arquivo da história como um delírio daqueles que ficaram conhecidos como Os Três Patetas - José Carlos Blat, Cassio Conserino e Fernando Araújo.

Por que a Veja escolheu a Itália para a fuga de Lula? Talvez porque o Grupo Abril, que publica a revista, tenha no seu comando a família Civita, que emigrou da Itália para os Estados Unidos e depois para o Brasil, fundando aqui a revista semanal em 1950. Quem comanda a Veja atualmente é o descendente de italianos Giancarlo Civita, considerado pela revista Forbes como um dos 15 homens mais ricos do país. Acho que isso explica a escolha do país e a fúria desse grupo contra o governo Dilma.

A Época não fica atrás. Publicação que integra o Sistema Globo de Comunicação, saiu em última edição com esta manchete: "Dilma vai à guerra. A presidente Dilma acusa um golpe que não existe e parte para cima da Lava-Jato - mas continua sem força política para resistir ao impeachment." Pior do que a falácia foi a foto que ilustra a capa, em que Dilma está pintada de índia, com quatro faixas vermelhas no rosto e um recurso de fhotoshop cuidou de triplicar as rugas no seu rosto.

O que é partir "para cima da Lava-Jato"? Não sei. Até porque a presidente Dilma não integra o polo passivo da ação penal relativa a essa operação, que já vai na 27ª fase. Se foi pela nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil, ministros do STF já reconheceram que essa é uma atribuição da Presidência da República. De mais, uma revista não pode publicar matéria informativa com afirmações peremptórias como "um golpe que não existe" e que a Presidenta "continua sem força para resistir ao impeachment". Aí já é panfletagem.

Por fim, a Isto É conseguiu superar o sentido da palavra escárnio. A manchete da capa: "OS 7 CRIMES DE DILMA". E segue com este lead: "A presidente insiste em dizer que não há justificativa legal para o impeachment, mas o MP, a PF e a Justiça Eleitoral já têm elementos para acusá-la pelos crimes de obstrução da justiça, improbidade administrativa, desobediência, falsidade ideológica, extorsão e abuso de poder, além das pedaladas fiscais".

Restabeleçamos a verdade. Quando alguém comete um crime, instaura-se um inquérito policial, o Ministério Público denuncia e o Judiciário forma o devido processo legal. Os dois processos a que Dilma responde são conhecidos do público - o de impeachment e o que tramita no Tribunal Superior Eleitoral. Os demais ‘crimes‘ citados pela revista se enquadram com precisão no figurino da basófia. Não existem, são absolutamente infundados e só são encontráveis nos arquivos fictícios da enfurecida revista. Para confirmar o que estou dizendo, basta consultar os sistemas de divulgação dos órgãos citados.

A conclusão é inelutável. Estamos reféns de três revistas que parecem combinar a orquestração de três mentiras diferentes a cada semana. Mas elas não estão sozinhas nesta tarefa. Grandes jornais e poderosas emissoras de televisão também tocam os mesmos instrumentos e entoam o mesmo canto da mentira e da má informação. Só nos resta como alternativa a utilização das redes sociais e de portais que cultivam a pluralidade de opinião e informação para desmascarar essas manipulações e mentiras.

*Professor, advogado e Procurador do Estado da Paraíba.

wscom




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