
Como muita gente pode ser citada em uma delação premiada, segundo o cientista político da UnB (Universidade de Brasília) Murilo Medeiros, o Congresso tende a entrar em “modo de espera” caso o acordo se concretize.
“O país passará a funcionar em ritmo reduzido, com agenda legislativa travada e uma atmosfera permanente de suspeição, enquanto governo, parlamento e judiciário aguardam os desdobramentos da investigação”, prevê.
Além disso, em ano eleitoral, o peso das ações deve ser ainda maior e os próximos passos serão milimetricamente calculados. A criação de uma CPI sobre o Banco Master deve continuar represada. “Ninguém quer abrir uma caixa-preta sem saber a dimensão do que pode sair dela”, avalia o cientista político.
Há pelo menos cinco pedidos para instalar comissões com o objetivo de investigar o escândalo do Master, tanto na Câmara quanto no Senado.
Medeiros observa ainda que, caso a delação traga elementos robustos, o caso pode ganhar contornos semelhantes aos da Operação Lava Jato, caracterizados pela hiperpolitização das investigações e pela erosão da confiança nas instituições.
“É um terreno fértil para a reativação do discurso anticorrupção como eixo central do debate público”, conclui.
Na terça-feira (17), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça recebeu o novo advogado de Vorcaro, José Luis Oliveira Lima, para tratar de uma possível delação premiada.
Conhecido no meio jurídico como “Juca”, o defensor substituiu o advogado Pierpaolo Bottini, que alegou motivos pessoais para deixar o caso. Ele já havia dito que descartava uma colaboração.
Juca já atuou em diversos acordos, como o de Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS e delator da Operação Lava Jato.
Vorcaro passou a cogitar delatar quem teve relações com ele, como políticos e até membros do Judiciário, após o STF formar maioria para mantê-lo preso. Detido em São Paulo no início de março, o banqueiro foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília, de segurança máxima.
Nesta quarta-feira (18), o ministro André Mendonça prorrogou o inquérito da Polícia Federal sobre fraudes envolvendo o Banco Master.
Por Yumi Kuwano, do R7, em Brasília
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