Um em cada cinco senadores que votou por impeachment agora se diz indeciso

04/06/2016
Senador Cristovam Buarque (PPS-DF) diz que levará em conta o "conjunto da obra" de Temer (Foto: Agência Senado)
Senador Cristovam Buarque (PPS-DF) diz que levará em conta o "conjunto da obra" de Temer (Foto: Agência Senado)

Dos 55 senadores que votaram a favor da admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff em maio, 12 parlamentares, pouco mais de um quinto deles, agora se declaram "indecisos" ou evitam tornar público seu posicionamento. No grupo indicado como "indeciso/não quis responder" estão, ao todo, 19 senadores.

O grupo será o fiel da balança na votação, que pode ocorrer em julho ou agosto – o cronograma do julgamento no Senado que vai decidir sobre a perda ou não do mandato da petista ainda está em discussão –, uma vez que 53 senadores já tornaram público seu posicionamento e disseram que pretendem mantê-lo. 

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Até esta sexta-feira (3), eram 35 votos declarados a favor do impedimento e 18 contrários. Nove parlamentares não foram localizados. Para o afastamento definitivo são necessários 54 votos favoráveis entre os 81 senadores. Dos 22 que votaram contra o impeachment, três, passaram para o grupo "indeciso/não quis responder".

"Ambiente"
Representantes do grupo que votou a favor do impeachment em maio e agora migraram para a opção "indeciso/não quis responder", os senadores Romário (PSB-RJ), Wellington Fagundes (PR-MT), Cristovam Buarque (PPS-DF) e Roberto Rocha (PSB-MA) afirmam que vão "aguardar os desdobramentos dos acontecimentos" antes de decidir sobre a questão.

 

 

 

Romário (PSB-RJ) é outro indeciso; ex-jogador pediu para deixar a Comissão do Impeachment
Marcos Oliveira/Agência Senado - 21.10.15

 

 

 

 

 

 

 

Romário (PSB-RJ) é outro indeciso; ex-jogador pediu para deixar a Comissão do Impeachment

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo Buarque, passa não só pelo julgamento técnico do processo, mas pela análise do ambiente político do presidente em exercício Michel Temer. O senador do PPS, que já havia declarado que votaria pela admissibilidade do pedido de impeachment, mas analisaria o processo antes de formar uma opinião sobre o mérito, reforçou as diferenças entre as duas votações: "Agora, vamos analisar se há constatação de crimes e isso não é votar, é julgar".

Para Buarque, se, em maio, foi levado em conta o "conjunto da obra" de Dilma, ou seja, fatos alheios ao que consta na denúncia, na votação definitiva também será considerado o "conjunto da obra" de Temer. "Além do afastamento, o Senado vai decidir se Temer fica ou não. A questão será decidida por diferença de um ou dois votos", disse ele.

A composição atual do Senado é diferente da que votou em maio, com volta de parlamentares e entrada de suplentes. Mas a possibilidade de alteração do placar é pequena. Substituto de Marcelo Crivella (PRB-RJ), que vai disputar a prefeitura do Rio e votou pelo afastamento em maio, Eduardo Lopes (PRB-RJ) não quis revelar seu voto, mas disse que "o parecer do partido aponta para ocorrência da pedalada". 

Por Estadão Conteúdo




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