Moraes usou relatório interno da PF ‘sem valor probatório’ para acusar Mendonça de interferências
05/09/2026
Moraes acusa Mendonça de violações que ele mesmo cometeu. (AP Photo/Eraldo Peres)
Nesta quinta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes usou, no âmbito do inquérito das Fake News, um relatório interno da Polícia Federal que se define como "sem valor probatório" para pedir uma investigação contra seu colega André Mendonça por abuso de autoridade e interferências indevidas na condução de investigações, informam os repórteres Aguirre Talento e Carolina Brígido.
O documento citado pelo magistrado não tem cabeçalho oficial da corporação nem é assinado por nenhum delegado.
Ao apresentar diversos tópicos sobre a condução das apurações, o texto cita relatos anônimos dizendo que André Mendonça tentou interferir indevidamente no andamento de acordos de delação premiada da PF na investigação sobre desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Aponta também, sem identificar a fonte, que o ministro disse não confiar na atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ou do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Após registrar essas alegações, porém, o próprio relatório faz análises e diz que eles têm grau de confiança de "baixa a moderada" por se basearem apenas em relatos sem provas documentais.
No mesmo dia, em meio à escalada da crise na Corte, o presidente Edson Fachin pediu explicações aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça sobre fatos relacionados ao material da Polícia Federal que expôs a relação entre Daniel Vorcaro e Moraes . Ainda devem prestar esclarecimentos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor da PF, Andrei Rodrigues. Todos têm prazo de cinco dias úteis para se manifestar.
Para Fabiano Lana, os crimes que Moraes clama por investigação contra Mendonça poderiam ser atribuídos a ele próprio: "A condução do inquérito das fake news pelo magistrado agora está cristalina, não se limitou a quem atentou contra instituições democráticas. Foi uma arma que usou para intimidar desafetos seus e de seus aliados." Leia a coluna na íntegra.
Por Marcia Pezenti - Estadão
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