Por que o Reino Unido pede que famílias estoquem comida e água para três dias de crise

Por Redação · 2 de novembro de 2026

Nove litros de água por pessoa, comida enlatada, um rádio a pilha e dinheiro vivo guardado em casa. É esse o kit que o governo britânico quer ver em cada lar do país para atravessar até três dias sem luz, água, telefone ou internet.

A orientação faz parte da campanha nacional “Be Ready” (em português, “Esteja Preparado”), lançada pelo Cabinet Office, departamento responsável pela coordenação do governo do Reino Unido, em 22 de outubro. A iniciativa é a primeira etapa de um programa de conscientização pública com duração prevista de três anos.

A recomendação central é manter em casa alimentos não perecíveis e água suficientes para pelo menos três dias. O objetivo é preparar as famílias para emergências capazes de interromper serviços essenciais, como energia elétrica, abastecimento de água, telefonia e internet.

O primeiro-ministro Andy Burnham defendeu a campanha como uma medida de prevenção. Questionado sobre a mensagem de um ouvinte preocupado com a falta de produtos nas prateleiras, ele afastou a ideia de corrida aos supermercados.

“Não se trata de compras por pânico. Eu entendo o que seu ouvinte está dizendo, mas trata-se apenas de tomar medidas sensatas para ter o suficiente em casa para enfrentar uma situação difícil”, afirmou Burnham, em entrevista à BBC Radio 5 Live.

O que motivou a campanha

Entre os riscos considerados pelo governo britânico estão eventos climáticos extremos, ataques cibernéticos e falhas nas cadeias de abastecimento. Segundo o Cabinet Office, as tempestades recentes e os incêndios florestais do verão mostraram como esse tipo de situação pode afetar o cotidiano da população.

O secretário de Defesa, Wes Streeting, acrescentou outra camada ao debate. Em declaração ao jornal The Guardian, ele afirmou que o país também precisa se preparar para ações de terrorismo patrocinadas por governos estrangeiros, especialmente a Rússia e outras potências consideradas hostis, contra a infraestrutura essencial britânica.

O governo ressalta, no entanto, que a campanha não responde a uma ameaça específica ou iminente.

Em declaração ao Parlamento, o ministro de Estado para Segurança, Dan Jarvis, afirmou que a iniciativa busca ampliar a preparação da sociedade para emergências cotidianas. A meta também é alinhar o Reino Unido a vizinhos europeus que já adotam orientações semelhantes. Segundo o Cabinet Office, a referência de três dias de autonomia também é usada por França, Irlanda e Holanda.

O que vai na lista

A lista oficial começa pela água. A recomendação é de três litros por pessoa por dia apenas para beber, o que soma nove litros por pessoa em três dias. O volume precisa ser maior se a água também for usada para cozinhar e lavar.

Na alimentação, a orientação é priorizar produtos de longa validade que dispensem geladeira e preparo, como carnes, peixes e vegetais enlatados, frutas secas e castanhas.

O kit inclui ainda:

lanterna com pilhas extras;
rádio portátil a bateria ou de manivela;
carregador portátil para celular;
dinheiro em espécie, para o caso de falha nos pagamentos eletrônicos ou nos caixas eletrônicos;
cobertores e roupas quentes;
kit de primeiros socorros e medicamentos essenciais.

Famílias com crianças pequenas também devem considerar fórmula infantil e fraldas. A versão pronta para consumo da fórmula é a mais indicada, já que pode não haver como ferver água para preparar a versão em pó.

Quem tem animais de estimação deve reservar ração e água extra para eles.

Corrida aos supermercados

A preocupação do ouvinte de Burnham tinha fundamento. Nos dias seguintes ao lançamento, a imprensa britânica registrou falta pontual de produtos e alta nas vendas de itens da lista.

Clientes do supermercado online Ocado encontraram esgotados água engarrafada, pilhas e feijão em lata, além de algumas linhas de sopa, segundo a rádio LBC. À emissora, a empresa atribuiu o problema ao salto da demanda no fim de semana e disse trabalhar com fornecedores para normalizar a oferta

A rede Iceland informou à LBC alta de 40% nas vendas de enlatados no mesmo período, com procura forte também por água engarrafada. A empresa, porém, afirmou que seus estoques seguem saudáveis. Os equipamentos da lista também dispararam. Na varejista Robert Dyas, as vendas de rádios subiram 160% em relação à semana anterior.

Por Exame.com. Leia a matéria completa em https://exame.com/mundo/por-que-o-reino-unido-pede-que-familias-estoquem-comida-e-agua-para-tres-dias-de-crise/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento